
Li ontem um artigo do Gen Rego Barros a respeito desse assunto e resolvi escrever algo sobre o tema, uma vez que já senti na pele a diferença entre lealdade e, como ele mesmo cita, a concordância desleal.
Existe uma confusão recorrente nas organizações entre lealdade e concordância. Muitos acreditam que ser leal é evitar o desconforto, não contrariar opiniões ou preservar a imagem do superior a qualquer custo. Certamente, não é.
A verdadeira lealdade exige coragem. Coragem para apresentar fatos, apontar riscos e oferecer uma visão técnica, ainda que ela contrarie expectativas e vontades. Quem assessora não foi escolhido para aplaudir decisões, mas para contribuir para que elas sejam melhores.
O problema surge quando a busca pela aprovação passa a ser mais importante do que o compromisso com a missão. Ou seja, concordar passa a fazer parte de um projeto pessoal. Nesse ambiente, a divergência é vista como afronta, e não como oportunidade de aperfeiçoamento. Aos poucos, instala-se uma cultura em que todos dizem o que o chefe deseja ouvir, enquanto os problemas permanecem intocados.
Esse comportamento pode até preservar o conforto no curto prazo, mas cobra um preço elevado no futuro. Decisões passam a ser tomadas com informações incompletas, vulnerabilidades deixam de ser enfrentadas e a instituição perde sua capacidade de aprender e evoluir.
Da mesma forma, a lealdade não pode ser seletiva. Não é leal quem aparenta concordar, mas guarda ressentimentos ou utiliza divergências passadas como instrumento de desgaste pessoal. A lealdade verdadeira é transparente, franca e sempre orientada pelo interesse da instituição, jamais por conveniências individuais.
Ao longo da minha carreira, aprendi que o melhor assessor nem sempre é o mais agradável. Muitas vezes, é aquele que, com respeito e fundamentação, tem a coragem moral de dizer aquilo que ninguém mais está disposto a dizer.
Depois que a decisão é tomada, a disciplina impõe unidade de ação. Antes dela, porém, o silêncio por conveniência jamais deve ser confundido com lealdade.
Instituições fortes não são construídas por pessoas que apenas concordam, embora eu saiba que elas existam e até prosperem por algum tempo. São construídas por líderes que aceitam ouvir e por assessores que têm a coragem de falar. A confiança nasce exatamente desse equilíbrio.
Luiz Alberto Cureau Júnior
General do Exército Brasileiro da reserva
Consultor Climático



