As salas de cinema da nossa vida! (por José Emílio)

Um lugar muito agradável e cheio de emoções em várias cidades, eram as suas salas de [...]

Um lugar muito agradável e cheio de emoções em várias cidades, eram as suas salas de cinema. Em todos os cantos desse país elas estavam presentes seja na praça principal, na avenida ou mesmo nas casas paroquiais. Até em alguns quintais das casas tinha uma salinha improvisada, enfim, as salas de cinema sempre fizeram parte da geografia local e com muito sucesso e orgulho para as pessoas.

Filas enormes se formavam para ver as fitas e a expectativa para uma nova que estava por vir era muito grande.

O colorido das cidades, nos finais de semana, fazendo um contraponto aos dias atuais, era proporcionada pela meninada nas portas dos cinemas, já nas chamadas matinês, empunhando as suas várias revistinhas, ocupando aquele espaço para fazer as trocas de tais objetos, antes mesmo da entrada para as seções.

Quando terminava a matinê, era um grande frenesi nas cidades com a rapaziada saindo pelas ruas em direção às suas casas, para o almoço domingueiro e trocando os vários assuntos oriundos do filme que assistiram e já se preparando para as partidas de futebol na parte da tarde. Nada de telas nessa época, só as dos cinemas.

Mas a noite as salas eram dos adultos que escolhiam o melhor filme  possível para levar as suas  namoradas, enfim, mas sempre houve um problema no escurinho dos cinemas, o lanterninha. Esses invadiam a nossa intimidade naquele ambiente, colocando as lanternas no nosso rosto numa atitude coerente com as coisas da ditadura da época, xô!

Mas nessas salas aconteciam coisas muito interessantes: um gaiato assistiu a várias seções que tinha uma atriz interpretando a personalidade histórica, Joana D’arc. Ocorre que na cena, a atriz falava “oi”, o gaiato que frequentou as várias seções aproveitava a deixa para perguntar para a personagem: – “oi Joana”, e ela respondia “- oi”! A plateia delirava!

Em outros cinemas, o dono aproveitava a introdução dos filmes, na época o canal 100, que exibia lances de futebol e fazia a meninada assistir a várias seções por um simples motivo: ele parava os lances na hora do bem bom, obrigando a meninada a voltar para os próximos dias.

Um amigo meu teve que assistir a três seções do filme pelo simples fato de que o gol do seu ídolo não apareceu nas duas primeiras seções.

Mas, infelizmente, acabaram com os cinemas de rua que faziam sucesso nas cidades. Em Belo Horizonte havia vários, inclusive nos bairros. Nós, estudantes duros e loucos por cinema, aguardávamos que os grandes filmes fossem para os cinemas de bairro pois lá era mais em conta e compensava pagar lotação para assistir as fitas com menor preço na bilheteria.

Agora, triste mesmo é passar pelas ruas e certificar que ali, onde eram as salas do nosso forte deleite e atualmente encontra-se uma igreja evangélica, um supermercado, um estacionamento…, dói muito e como dói!

Atualmente as salas migraram prá dentro dos shoppings e, cá prá nós, perdeu todo o charme e, principalmente, a poesia daquela sala que ficava numa praça, numa esquina… e que sempre saíamos querendo encontrar um amigo(a) para destilar conosco aquelas emoções recentes que acabávamos de receber, coisas do mundo minha gente!

José Emílio é Engenheiro Sanitarista e Jornalista

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