
Há alguns dias vivi uma experiência simples, mas profundamente significativa.
Ao interagir com duas mulheres que ocupam posições de elevada responsabilidade no mundo corporativo, percebi que não foram seus cargos que mais me impressionaram. Foi a maneira como traduziram, em poucas palavras, aquilo que sustenta uma liderança verdadeiramente humana.
Uma delas escreveu que a liderança encontra sua melhor expressão quando enxerga que gerar valor para o outro é o elo que conecta tudo.
A outra afirmou desejar inspirar mais mulheres a ocuparem espaços de decisão sem diminuir sua voz, abrindo caminhos para um mundo corporativo mais igualitário, inclusivo e consciente.
Fechei a tela do computador e permaneci pensando.
Em tempos em que tanto se fala sobre liderança, estratégia, IA e resultados, talvez estejamos deixando escapar aquilo que realmente sustenta a autoridade.
Autoridade não nasce do cargo.
Também não nasce do poder de decidir.
Ela nasce da coerência entre aquilo que pensamos, aquilo que fazemos e aquilo que despertamos nas pessoas que caminham conosco.
Dar voz não significa apenas permitir que alguém fale.
Significa reconhecer a existência do outro.
É criar um espaço onde pessoas possam pensar, discordar, construir e crescer sem renunciar à própria identidade.
Talvez por isso as organizações mais consistentes não sejam apenas aquelas que desenvolvem grandes estratégias.
São aquelas que desenvolvem pessoas capazes de fortalecer outras pessoas.
Porque toda liderança deixa marcas.
Algumas silenciam.
Outras despertam.
E talvez essa seja uma das maiores responsabilidades de quem ocupa qualquer posição de influência: utilizar sua autoridade não para ocupar mais espaço, mas para criar espaço.
No fim, compreendi que aquelas duas vozes, vindas de trajetórias diferentes, convergiam para uma mesma verdade.
Quando a autoridade preserva a humanidade, ela deixa de ser um lugar de poder para tornar-se um lugar de construção.
E talvez seja exatamente isso que o mundo corporativo mais necessite neste tempo de complexidade: líderes que não apenas conduzam resultados, mas que ajudem outras pessoas a encontrar a própria voz.
Vera Helena Castanho é Psicoterapeuta Base Analítica



