O que essas Cinco Leis podem dizer sobre a Defesa Nacional (por Luiz Alberto Cureau Júnior)

Existem princípios que atravessam gerações porque refletem o comportamento humano diante dos [...]


Existem princípios que atravessam gerações porque refletem o comportamento humano diante dos desafios. Curiosamente, cinco leis bastante conhecidas ajudam a compreender não apenas a administração ou a tomada de decisões, mas também o momento vivido pela Base Industrial de Defesa, pelas Forças Armadas e pela posição geopolítica do Brasil.

A primeira delas é a Lei de Murphy, aquilo que pode dar errado um dia certamente poderá acontecer. Não significa pessimismo, mas prudência. Em um mundo marcado por disputas entre grandes potências, guerras cibernéticas, inteligência artificial e competição por recursos estratégicos, preparar-se para o improvável deixou de ser uma opção. A melhor forma de evitar uma crise é estar pronto antes que ela aconteça.

Em seguida vem a Lei de Kidlin, segundo a qual, se um problema for claramente definido, metade dele já estará resolvido. O Brasil ainda discute a Defesa como despesa, quando o verdadeiro problema é a ausência de uma política permanente de Estado. Sem previsibilidade para investimentos, não há planejamento nem uma Base Industrial de Defesa capaz de evoluir no ritmo que a realidade exige.

A Lei de Gilbert lembra que, ao assumir uma responsabilidade, torna-se obrigação encontrar os melhores meios para cumpri-la. O Brasil precisa proteger um território continental, a Amazônia, a Amazônia Azul, minerais críticos, reservas de água doce e fronteiras com dez países. Essa missão exige indústria forte, pesquisa, inovação, inteligência e domínio tecnológico.

A quarta é a Lei de Wilson, priorize conhecimento e inteligência, e os resultados aparecerão. As grandes potências compreenderam isso há décadas. Seus investimentos em ciência, universidades e empresas estratégicas produziram superioridade militar, crescimento econômico e liderança tecnológica. Defesa também é desenvolvimento.

Por fim, a Lei de Falkland talvez seja a mais perigosa para o Brasil. Ela ensina que, se uma decisão pode ser adiada por acharmos que não é importante, normalmente será adiada e no nosso caso os resultados podem ser terríveis. O problema é que a geopolítica não espera. Enquanto outras nações fortalecem suas cadeias produtivas e aceleram a inovação, cada ano perdido reduz nossa capacidade de dissuasão, e já estamos vendo isso diplomaticamente.

O Brasil não precisa preparar-se para a guerra. Precisa preparar-se para que ela nunca seja uma opção para qualquer adversário. Credibilidade não se constrói durante uma crise, mas ao longo de décadas de planejamento, continuidade e visão estratégica. Ignorar essas cinco lições custa caro. Na defesa nacional, o preço quase sempre é pago em soberania.

Luiz Alberto Cureau Júnior
General do Exército Brasileiro da reserva
Consultor Climático

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