COLUNA RONALDO HERDY

Socorro que emperra

A MP 1.376/26 mal completou um mês e já coleciona críticas. E justamente de quem deveriam ser os principais beneficiários: o produtor rural e cooperativas afetadas por perdas no campo decorrentes de eventos climáticos ou queda de preços, entre 2019 e 2025, com dívidas estimadas em cerca de R$ 100 bilhões.

Na hora de renegociar as dívidas com os bancos, o agricultor ou suas entidades vêm encontrando burocracia, exigências e portas que não se abrem. Uma ironia de péssimo gosto: a medida provisória nasceu para socorrer o setor às vésperas de uma nova safra.

A Frente Parlamentar da Agricultura, que ajudou a embrulhar o pacote de ajuda, já estaria preparando munição para cobrar do governo. E não é difícil entender por quê.

A MP depende de providências do próprio Executivo para sair do papel em sua plenitude. Entre elas, a autorização para equalizar os juros das renegociações e a regulamentação do fundo garantidor na medida.

Traduzindo para o agricultor: a ajuda chegou em forma de MP, mas ainda precisa vencer a safra de burocracia oficial.

Êta Brasil! Até o socorro precisa de autorização para socorrer.

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