
Quando se pergunta a uma pessoa se a mídia influi na decisão de voto do eleitor, a resposta usual é:
− “Sim”.
Quando se pergunta à mesma pessoa se ela vota por causa da mídia, a resposta que usualmente se segue é:
− “Não”.
O mesmo ocorre similarmente quando se pergunta sobre a influência das pesquisas sobre a decisão de voto.
Nas medições da Sensus, em toda a sua série histórica, nem a mídia e nem as pesquisas influem significativamente na decisão do voto.
Quando se cruza as intenções do voto por mídia, dentre os eleitores que preferem a emissora “A”, de posição conservadora, ou a emissora “B”, de posição alternativa, os candidatos em geral mantêm seus percentuais em ambos os tipos de emissoras. E se as emissoras detêm certos percentuais de audiência na população, esses percentuais também se mantêm em relação aos candidatos. Estatisticamente, o Chi-quadrado, quando aplicado às tabelas, é igual a 0 (zero), ou perto de 0 (zero), indicando falta de relação.
Nas redes sociais, toda a série de pesquisas Sensus mostra que, em geral, os participantes de grupos nas redes sociais já têm os seus votos previamente definidos. Esses grupos, tanto à direita como à esquerda, em verdade se auto replicam, sem a geração de novos votos.
Adicionalmente, a transferência de votos por lideranças institucionais é muito menor do que se possa imaginar. No total, as lideranças institucionais, do Presidente da República passando por Governadores e Deputados, chegando a Empresários e Lideranças Religiosas, transferem ou lideram somente a 15% do total do voto do eleitorado, esses 15% usualmente já definidos em seus votos.
Hoje, cerca de 25% do eleitorado é previamente definido por Flávio Bolsonaro, e 25% por Lula, Os outros 50% podem ter um voto tendencial, ou estrarem ainda avaliando o que fazer. Uma 3ª via viável não se configurou.
Assim, podemos classificar o eleitorado em três grupos: o “voto definido”, o “voto tendencial”, e o grupo que exercerá o “voto útil”. Como as rejeições de ambos os candidatos estão acima dos 50%, a escolha deste grupo pode ser interpretada como a escolha do “menos pior”.
Assim, as Eleições Presidenciais de 2026 serão decididas pelo grupo de eleitores do “voto útil”, em eleições de baixa motivação do eleitor em relação aos candidatos. A economia não vai bem, e a oposição é temerária. Eleição difícil de se prever, devido ao sucedâneo de escândalos e decisões de última hora, dentro de um eleitorado instável.
Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus



