
O Brasil é realmente um país muito interessante.
Há muito tempo atrás, quando as revistinhas de avião frequentavam mais os aviões, li duas crônicas que em muito me chamaram a atenção.
A primeira, de um escritor que dizia ter dois amigos franceses, um que detestava o Brasil por causa da “bagunça”, o derradeiro que adorava o Brasil por causa da “bagunça”. Estão vendo, meus Senhores e minhas Senhoras, nem tudo está perdido.
Como na música de Fernanda Abreu:
“Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos.
Rio 40 graus
Capital do sangue quente
Do melhor e do pior do Brasil”.
Na outra crônica, um diplomata, Nórdico, com N maiúsculo, se instala em São Paulo e é convidado por um empresário, brasileiro, com b normal, para ir à casa dele para jantar. Se prepara de terno, a mulher de tailleur, chega na hora, e a mais que perfeita funcionária que lhe atende, pede para se sentar:
− “Um minutinho só, que ‘Seu Dotô’ já está saindo do banho”.
Duas semanas depois, é novamente convidado, pelo mesmo anfitrião, para um jantar com um grupo de empresários, locais, por certo.
Rapidamente, se vangloria:
− “Agora vou acertar”!
Bota uma camiseta em V, como são só homens a mulher não vai, chega atrasado meia hora, e surprise: estão todos de terno e chegaram na hora!
“Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor”!
* Do nosso Ari Barroso
É isso aí, para quem quiser entender.
Como dizia Tom Jobim, “o Brasil não é para principiantes”!
Ricardo Guedes é Autor.



