Caiado tem chances nas Eleições Presidenciais (por Ricardo Guedes)

As chances de Ronaldo Caiado nas Eleições Presidenciais de 2026 são significativas, desde que ele faça [...]

As chances de Ronaldo Caiado nas Eleições Presidenciais de 2026 são significativas, desde que ele faça algumas correções de rumo, sendo as chances de Romeu Zema bastante menores do que as de Caiado. Caiado errou na sua primeira declaração, quando disse que daria a Jair Bolsonaro o perdão como primeiro ato de governo, e criticou Lula, apropriadamente, em seu governo. Caiado tem que distanciar, equivalentemente, de Lula e de Flávio Bolsonaro, para ser uma 3ª Via.

As Pesquisas de Opinião mostram uma grande quantidade de eleitores que gostariam de ter um candidato, nem Lula, nem Flávio Bolsonaro, eleito para Presidente da República. Já em 2022, as Pesquisas Sensus mostravam que este percentual chegava a 46%, hoje ultrapassando os 50%.

Sem Jair Bolsonaro nas eleições, o que garantiria uma maior polarização, fruto do receio do outro ser eleito, Lula e Flavio Bolsonaro não se constituem como alternativas tão expressivas. Flavio Bolsonaro certamente concatena o voto mais radical de seu pai, Jair Bolsonaro, mas não apresenta densidade e representatividade política. Além de que o seu grupo de apoio político não apresenta unidade. E Lula tem apresentado um Governo pouco eficaz, com o PIB estancado em US$ 2,2 trilhões desde o início de sua administração, com a inflação de bens de consumo básico acima da reposição salarial. Governo Lula apresenta avaliação negativa, 30% positivo e 40% negativo, e tanto Flávio Bolsonaro coo Lula chegam a mais de 50% de rejeição no eleitorado.

A escolha de Roberto Brant como coordenador da campanha de Ronaldo Caiado em Minas Gerais é significativa.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que Minas Gerais é, por excelência, o “Swing State” do Brasil. Desde 1950, quem ganha para Presidente no Brasil ganha também para Presidente em Minas Gerais, e vice versa, independentemente dos resultados para Governador do Estado.

O conceito de “Swing State” é inexistente no Brasil. No Brasil, nas Pesquisas de Opinião, utilizamos a categoria “indecisos”, que sugere, de certa forma, um afastamento do eleitor de posições mais consolidadas. Já o “Swing Voter”, no conceito Americano, expressa o eleitor consciente, que hora vota à esquerda, quando o lucro das empresas é considerado como excessivo, ou à direita, quando os programas sociais passam a inibir o lucro e a eficiência da sociedade. Nos Estados Unidos, o “Swing State” por excelência é Ohio, geograficamente central, com as três indústrias da mineração, transformação e agropecuária. O mesmo ocorre em Minas Gerais.

Em segundo lugar, a escolha de Roberto Brant, como Coordenador do Programa de Governo de Caiado, é significativa, para a campanha e em Minas Gerais. Brant foi Presidente do BDMG com Tancredo e Hélio Garcia, Secretário da Fazenda no segundo mandato de Hélio Garcia, Deputado Federal, e Ministro da Previdência de Fernando Henrique. Brant provém de família representativa e com alta inserção cultural e política em Belo Horizonte e Minas Gerais. Na cultura, Fernando Brant, seu irmão, foi um dos cernes do “Cube da Esquina”, com Lô Borges e Milton Nascimento. Na política, não apenas a sua própria atuação, mas Paulo Brant, seu irmão, foi Vice-Governador com Zema em seu primeiro Governo. Minas representa o Brasil, e Roberto Brant vai adicionar pela sua inserção política e social em Minas Gerais.

Zema tem algumas limitações eleitorais. Zema foi eleito em 2018 como 3ª Via, por exclusão, então com o declínio do PT e do PSDB no Estado. A 15 dias antes do 1º Turno, tinha 5% das intenções de voto. Em 2022, não teve concorrente significativo, em uma eleição em que, devido à forte polarização entre Lula e Bolsonaro, os eleitores somente olharam para as Estaduais a 15 dias antes do pleito. Durante o Governo Zema, a dívida do Estado aumentou significativamente. A receita anual do Estado foi de R$ 113 bilhões em 2025, com despesa fixada para 2026 em R$ 146 bilhões, dívida em R$ 187 bilhões para com a União. Zema incluiu significativos ativos do Estado para abater a dívida com a União, no final de 2025, como a COPASA, empresa “padrão ouro” em Minas Gerais. Hoje, o candidato de Zema ao Governo de Minas, Matheus Simão, então seu Vice-Governador, tem dificuldades nas pesquisas, em cerca de 5%.

As condições para uma 3ª Via estão presentes, seja através dos Candidatos em lançamento, ou de outro Candidato que possa surgir durante o Período Eleitoral. Depende, certamente do cálculo do “risco do voto” por parte do eleitor em relação à avaliação de Lula ou de Flávio Bolsonaro se elegerem, desde que o Candidato da 3ª Via se distancie dos dois extremos, tenha propostas que sejam viáveis para a solução ou melhoria do país, e gere empatia com o eleitorado.

A ver.

Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus

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