A polícia garante a segurança do presente e a escola garante a segurança do futuro. A relação virtuosa entre segurança pública e escola (por Edson Moreira)

Quando pensamos em segurança pública, a primeira imagem que costuma vir à cabeça da maioria das [...]

Um país se faz com homens e livros

(In: América – Monteiro Lobato)

Quando pensamos em segurança pública, a primeira imagem que costuma vir à cabeça da maioria das pessoas é a de mais viaturas nas ruas, policiais equipados e o fortalecimento das forças legais repressivas. É claro que o policiamento ostensivo e o trabalho das polícias são fundamentais e urgentes, especialmente diante da preocupação que toma conta das famílias mineiras. No entanto, quem já esteve no dia a dia da vida pública sabe que, se ficarmos focados apenas em “enxugar gelo”, nunca resolveremos o problema de verdade. A segurança pública real, aquela que traz paz duradoura e efetiva para os bairros, começa muito antes: ela nasce dentro das nossas escolas e se fortalece na confiança mútua entre o cidadão e a polícia.

Existe uma ligação direta e inegável entre o abandono dos estudos e o aumento da violência entre os jovens. Quando um adolescente deixa de frequentar as aulas, ele não está apenas perdendo matérias ou um diploma; ele está perdendo uma referência, um teto social, o próprio paradigma da autoestima e sua perspectiva de futuro. A evasão escolar abre um vazio imenso na rotina desse jovem, deixando-o muito mais exposto e vulnerável às armadilhas do mundo do crime. Sem o acolhimento e o acompanhamento que a escola oferece, as ruas acabam preenchendo esse espaço, muitas vezes de forma trágica. Por isso, combater a criminalidade de forma inteligente exige, necessariamente, manter nossos jovens dentro da sala de aula.

A Polícia como parceira na proteção da Sociedade 

Para que essa engrenagem social tão necessária funcione, a nossa sociedade precisa resgatar e cultivar uma visão profundamente positiva sobre a polícia. A presença do policial na comunidade deve ser vista sempre como uma benesse, um sinônimo de alívio e proteção para o trabalhador, sua família e o povo, porém jamais como um potencial de ameaça ou intimidação. O cidadão de bem precisa olhar para a farda, polícia preventiva, ou no distintivo, polícia judiciária, e sentir que ali está o seu maior aliado no dia a dia do bairro. Essa confiança é o que permite um trabalho preventivo, ostensivo e investigativo de excelência.

A fim de construir essa imagem de forte respeito, é imperativo também falar abertamente sobre a instituição que detém o poder de usar a força estatal. Sabe-se que a imensa maioria dos policiais é formada por homens e mulheres de bem, profissionais sérios que arriscam suas vidas diariamente com honra e dedicação ao povo mineiro. Mas, justamente por essa seriedade prevalecer na corporação, não podemos fechar os olhos para os desvios: banir a corrupção de dentro da polícia é uma necessidade absoluta e constante. Combater esse problema não enfraquece a instituição; pelo contrário, valoriza os bons policiais e fecha as brechas que o crime organizado explora para seus interesses ilícitos.

O papel da Escola além dos livros

A escola não pode ser vista apenas como um lugar onde se decoram fórmulas ou regras de gramática. Ela tem um papel muito mais profundo na formação das crianças e adolescentes como futuros cidadãos conscientes de seus direitos e deveres. É no ambiente escolar que as novas gerações aprendem o valor da democracia, o respeito ao próximo e a importância de viver em sociedade de forma útil e harmônica.

Quando o ensino perde sua força ou suas ferramentas básicas por falta de investimento e apoio estrutural, toda a comunidade sofre o impacto. Um sistema educacional fragilizado cria barreiras que empurram os jovens para a vulnerabilidade, alimentando uma engrenagem que deságua nos índices de violência que tanto assustam a população.

Por isso, precisamos transformar a escola em um verdadeiro escudo de prevenção contra a violência. Uma das formas mais bonitas e eficientes de fazer isso é promovendo eventos integrativos entre a escola e a polícia. Atividades esportivas, palestras conjuntas e gincanas comunitárias aproximam as crianças e os jovens da realidade policial de maneira humana e sadia. Esses momentos de convivência quebram preconceitos de lado a lado e criam um ambiente de admiração e respeito mútuo que os estudantes levarão para toda a vida. A educação para a segurança pública significa usar o ensino e a aproximação social como as ferramentas mais poderosas para desarmar conflitos antes mesmo que eles comecem.

União de forças: Família, Comunidade e gestão da Segurança Pública

Nenhuma escola faz milagre sozinha e nenhuma polícia resolve tudo por conta própria. Para construirmos um ambiente verdadeiramente seguro, o engajamento das famílias e dos professores é um pilar indispensável. Os pais precisam estar presentes no dia a dia escolar, acompanhando a evolução dos filhos e fortalecendo os laços comunitários. Quando o bairro abraça a sua escola e apoia a atuação da polícia local, cria-se uma rede invisível de proteção que afasta as influências da violência e protege as crianças e adolescentes em situação de risco.

Por fim, o poder público precisa parar de trabalhar em caixas isoladas, a coordenação é fundamental. Segurança pública e educação não podem caminhar de costas uma para a outra. É urgente a criação de políticas públicas totalmente integradas, onde as ações sociais, a educação e o policiamento comunitário se unam para proteger e incluir os jovens mais vulneráveis. Governar com responsabilidade é entender que cada escola que funciona bem, integrada com uma polícia forte e respeitada, é uma barreira a menos que a segurança pública precisará conter no futuro.

Esse é o debate que precisa ser levado adiante, com seriedade e os pés no chão, por uma Minas Gerais mais segura e justa para todos. Novas formas integrativas devem ser implantadas o quanto antes para assegurarmos uma sociedade com efetiva e atuante segurança pública; mas para que isso aconteça, o voto consciente dos eleitores em outubro deste ano é indispensável para que isso aconteça.

Delegado Édson Moreira é Especialista em Segurança Pública e Criminalidade/UFMG. Foi Delegado de Política Chefe do DHPP/MG e do Departamento Anti-Sequestro de Minas Gerais, e Deputado Federal

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