Um mundo em conflito (por Nestor de Oliveira)

Faz parte da história do homem sobre a terra suas lutas e guerras, em todos os recantos do globo, seja [...]

Faz parte da história do homem sobre a terra suas lutas e guerras, em todos os recantos do globo, seja na busca da sobrevivência à hostil natureza, na de conquista de novos espaços, poder ou defesa do que é seu. Citar Anibal, Alexandre, Gengis Khan, David, Ramsés II, César, Hitler, Putin, Netanyahu, ou Trump é rever a eterna luta dos homens na sua inquietude, arrogância e pretensão de se projetar sobre seu semelhante. Titus Plautos, (254-184 AC) usou a frase que bem definiu quem somos: “Lupus est homo homini, nom homo, quom qualis sit non novit”, ou, “O homem é o lobo do homem”, uma metáfora para dizer que somos predadores ferozes, perigosos e agressivos.

Há exatamente 81 anos findava aquela que foi a maior e pior de todas as guerras, de todos os tempos, envolveu quase todas nações do mundo, matou ou mutilou milhões, foi usada a mais letal das armas, dividiu o mundo em zonas de influência, deixou cicatrizes jamais curadas pelos sobreviventes. Negociações tentaram criar uma convivência pacífica entre os povos, mas, nosso espírito de batalhadores criou a guerra fria e disputas ideológicas, que só nos fizeram separar. Dividiu o mundo, criou muros, separou famílias, além de tentarem criar organismos amortecedores de novas lutas. As Conferencias de Teerã, Yalta, Potsdam, Moscou ou São Francisco buscaram denominadores comuns para estabelecer a nova paz.  A ONU é filha destes acordos, com o propósito de resolver conflitos, as inúmeras guerras do mundo, a desestabilização dos povos e seus desequilíbrios. O tempo, capaz de mudar tudo, fez superada tais intenções, com sua perda de representatividade e poder. Os norte-americanos, principais restauradores e mantenedores desta paz, financiadores da OTAN e ONU, resolveram mudar de posição. O mundo de até então já não os interessava. O surgimento de novos e ameaçadores antagonistas, a China especialmente, os fez mudar de estratégias. Surge o efeito Trump e sua disposição guerreira de fazer “grande, de novo, a América”. Evidente que os EUA perderam muito de seu domínio político, comercial e diplomático. Além da China, Rússia e União Europeia novas forças surgiram nestas décadas após os velhos tratados, tempos da América forte.  Um novo poder está a forçar o novo equilíbrio, que só surgirá como requer o princípio da física de que “a luz nasce do atrito”, e estes não se fazem faltar. Um novo desenho político econômico está sendo desenhado, com conflitos, guerras e novas dores. A esperança é que surja o novo tempo, que dure tanto quanto os homens, da dimensão dos antigos negociadores, saibam encontrar denominadores comuns.

O Brasil, enquanto isto, um transatlântico ancorado em velhas ideias, comandado por homens que olham o retrovisor da história para o dirigirem, continua a perder oportunidades de crescimento e melhoria da qualidade de vida de seu povo. A manutenção propositada da pobreza, suas ajudas sociais, têm caráter político eleitoral para que seus atuais dirigentes, incapazes de enxergarem um novo e destino melhor, continuem no poder. A limitação de suas ideias é proporcional à sua estatura intelectual e dimensão política tacanha. O mar de lama que nos cerca é consequência, inevitável, da corrosão institucional dos atuais poderes que nos governa.    

Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor    

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