O Brasileirão já deixa alertas (por Erasmo Angelo)

O Brasileirão chega praticamente à metade da sua disputa e mostra uma curiosa e equilibrada competição [...]


O Brasileirão chega praticamente à metade da sua disputa e mostra uma curiosa e equilibrada competição envolvendo a metade dos participantes do campeonato, colados entre si em uma estreita margem de pontos. A guerra por valiosos pontinhos vale a busca por posições para a próxima Libertadores, a Copa Sul-Americana e a dramática fuga das dolorosas quatro vagas do rebaixamento.

A competição nacional vai parar após a rodada deste final de semana, a décima oitava, e só recomeçará em 22 de julho, depois da Copa do Mundo.

Até lá, os clubes terão mais de 40 dias para reavaliar suas condições e definir o que será necessário fazer para enfrentar o duríssimo e decisivo segundo semestre, quando serão definidos o Brasileirão, Copa Libertadores, Copa do Brasil e Sul-Americana.

E há muito o que fazer. Muitos clubes precisam aproveitar a próxima “janela de transferências”, em julho, que é a oportunidade mais próxima para a contratação de reforços, sem as quais as dificuldades técnicas, para muitos deles, só aumentarão.

Na atual classificação do campeonato, é interessante observar que entre o Santos (décimo sétimo colocado e primeiro na zona de rebaixamento) e o Bahia (oitavo colocado) a diferença é de minguados cinco pontos. O Santos, de Neymar e Gabigol, ganhou só 18 pontos até agora e o Bahia 23.

Neste espaço da tabela de classificação, na distância entre Santos e Bahia, há oito grandes do futebol brasileiro: Cruzeiro, Botafogo, Vitória, Atlético MG, Internacional, Grêmio, Corinthians e Vasco, todos com uma diferença mínima de pontos entre eles.

Essa turma aí de cima obteve, até agora, um índice de aproveitamento muito ruim em relação ao prestígio que carregam e ao que já conquistaram em competições nacionais anteriores, deixando torcedores preocupados.

Os “matemáticos” do Brasileirão sempre indicam que o número básico mínimo para escapar do rebaixamento é de 45 pontos. Teoricamente – e apenas para ilustrar o tema aqui desenvolvido – Bahia e Cruzeiro, por exemplo, que somam atualmente 23 pontos, precisariam dobrar seus números atuais para não se verem ameaçados com a degola do rebaixamento. Já o Santos, com seus apenas 18 pontos em 17 partidas disputadas (valendo 51 pontos), vai precisar que Neymar jogue dez vezes mais do que não vem jogando, para se livrar do fantasma da Série B.

Lá na ponta da classificação, o Palmeiras já colocou sete pontinhos de vantagem em relação ao seu maior perseguidor, o Flamengo. É uma valiosa diferença em favor de um time que vence muito e perde pouco.

Agora, é aguardar a rodada do fim de semana e o que virá depois da Copa. É prematuro traçar hipóteses quanto ao que é possível acontecer no seguimento do Brasileirão, mas, pelo que se viu até agora e diante da decepcionante produção dos muitos clubes citados acima, que possuíam uma cotação elevada antes do início do campeonato, parece muito claro que esses times já podem, desde já, ligar o sinal de alerta. O tempo está ficando curto para o muito que eles terão que fazer. Se é que irão fazer.

Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor

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