A hora da verdade- (por Nestor de Oliveira)

Assim como nas guerras, na atual política e especialmente nas eleições, a primeira grande vítima é a [...]

Assim como nas guerras, na atual política e especialmente nas eleições, a primeira grande vítima é a verdade. Está aberta a temporada das versões, narrativas, informações falsas, mentiras e promessas que iludem, desinformam, enganam e confundem o eleitor. Faz parte da nova cultura política brasileira, e mundial, a manipulação de informes, mensagens, fatos, fakes, notícias e pesquisas pelos meios de comunicação, especialmente pelas redes sociais, com o intuito de influenciar e criar conceitos falsos e nocivos à lisura das eleições. Nossa Justiça Eleitoral, atuante no combate às fakes News, tenta conscientizar o eleitor para não cair no pecado da disseminação destes falsos informes, causadores de grave prejuízo às eleições. É guerra sem quartel, quando a falsa informação prevalece e influencia.  

A origem e descontrole das falsas informações está diretamente ligada ao lado perverso da comunicação virtual, quando cada cidadão passou a ter o poder de emitir opinião, ser visto ou ouvido pelo imenso universo acessível a quem dele quiser participar. Como disse Umberto Eco, “os idiotas tomaram conta dos meios virtuais, antes falavam para quatro ou cinco pessoas, no bar, e não causavam nenhum mal. Hoje falam para milhões”. Neste novo processo cada um de nós somos uma estação de rádio, TV ou editor de jornal, com possibilidades e audiência de influenciar milhares de eleitores instantaneamente. Aliás, são inúmeros os nossos representantes eleitos, para Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas, Câmara Federal ou Senado, exatamente pelo uso exagerado e inconveniente das redes sociais, com suas versões ou manipulações de fatos, acontecimentos ou falsas verdades. Normalmente são como as pedras atiradas nas vidraças, sem nunca terem experimentado a condição de janelas, nem desejarem ser.

Há, no entanto, outro aspecto ainda pior no cenário eleitoral a influenciar e enganar a maioria dos eleitores. Algo em torno de 85% deles. As pesquisas e suas consequências. Como são dados estatísticos, instantâneos, retratam um determinado momento que poderá mudar em questão de dias ou horas, ao sabor dos fatos reais ou não, manipulados ou não, que acontecem dentro do processo eleitoral. Recentemente a AJOIA – Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados, divulgou nota de desagravo intitulada “A democracia morre quando a verdade deixa de importar – Chega de pesquisas eleitorais e interferências no processo eleitoral.” Diz, em um de seus parágrafos: “Pesquisas antecipadas não possuem qualquer utilidade para o eleitor, se não, confundi-lo. Qual a razão das amostras de duas mil intenções em um universo de 158,6 milhões de eleitores?” … “O cidadão comum raramente conhece conceitos como intervalo de confiança, metodologia de amostragem, ponderação estatística ou margem de erro. O que ele escuta é outra mensagem “o candidato X lidera” a “eleição está definida”, “a vantagem é consistente”. Esta linguagem influencia comportamentos, especialmente entre eleitores que preferem apoiar quem parece favorito ou que concluem, antecipadamente, que seu voto pouco alterará o resultado. A pesquisa deixa de ser informação e passa a integrar o próprio ambiente da disputa política.” E la nave vá.       

Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor

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