Em tempos de patrulha moral nas redes sociais e pudores de vitrine, Fernanda Torres segue lotando teatros ao interpretar, em Casa dos Budas Ditosos, uma senhora de 68 anos que fala da própria vida sexual sem pedir licença a ninguém – muito menos desculpas.
O sucesso da temporada em São Paulo obrigou a produção a abrir sessões extras em 4 e 7 junho, além da apresentação já prevista para o dia 6. Depois, o espetáculo seguirá viagem por outros estados. Sinal de que ainda existe público para inteligência, ironia e literatura adulta, em um país cada vez mais dominado por gritaria instantânea e opinião em caixa alta.
Quando escreveu a obra, João Ubaldo Ribeiro fez a este colunista uma confissão deliciosa: “essa mulher fala coisas que me deixam corado”.
Não é pouco. Deixar vermelho um baiano genial, dono de um dos textos mais afiados da literatura brasileira, talvez seja o maior elogio à personagem.
Vida eterna a João Ubaldo. E longa vida às obras que continuam escandalizando, décadas depois de terem sido escritas.





