COLUNA RONALDO HERDY

Washington não é Brasília

Segundo a agência Reuters, quem teria ajudado a abrir a porta da Casa Branca para Lula foi Joesley Batista. O empresário brasileiro, veterano em circular pelos corredores do poder, parece acreditar que Washington funciona como Brasília: aproxima-se do governante da vez, oferece interlocução e segue o baile.

Ocorre que os Estados Unidos não é exatamente uma extensão do Lago Sul.

Na mesma semana passada em que Lula desembarcou por lá, a secretária de Agricultura americana, Brooke Rollins, mandou um recado sem açúcar para a JBS e suas controladas. Disse que a investigação antitruste segue firme e classificou como preocupante o fato de um grupo brasileiro deter cerca de 25% do mercado de carnes americano, além de carregar “um histórico documentado de corrupção internacional e atividades ilícitas”.

Traduzido do diplomatiquês para o português: os americanos não estão muito interessados em saber quem frequenta a foto oficial. Querem descobrir quem controla o mercado, influencia o preço, tem certificação e carrega passivo jurídico nas costas.

A JBS atua em 18 estados americanos, movimenta bilhões e conhece bem o caminho dos gabinetes. Mas, nos EUA, lobby não apaga prontuário. E a investigação não costuma ser abafada com jantar, cafezinho ou amizade presidencial.

Em tempo: se o Brasil continuar tratando questões regulatórias e comerciais como extensão política doméstica, corre o risco de descobrir, da pior maneira, que sanção americana não é nota de repúdio.

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