A Secretaria Nacional do Consumidor, pendurada no primeiro escalão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, virou um daqueles órgãos que existem mais no organograma do que na vida real. Quem conseguir explicar, sem gaguejar, para que serve a Senacon, merece estabilidade vitalícia no serviço público.
A omissão da secretaria no caso da Ypê é um retrato pronto para moldura da burocracia brasileira: a Agência Nacional da Vigilância Sanitária mandou suspender fabricação e venda de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da empresa por risco de contaminação decorrente de falhas no controle biológico e, ainda assim, a Senacon parece assistir a tudo da arquibancada, tomando café e carimbando papel.
Não houve fiscalização firme sobre o recolhimento dos produtos. Nenhuma pressão pública contra a negligência da empresa no atendimento aos consumidores. Telefones mudos, e-mails ignorados e um silêncio constrangedor de quem deveria defender justamente o cidadão lesado.
No Brasil, quando o consumidor precisa de proteção, encontra um labirinto. Quando o governo quer criar uma secretaria e nomear um barnabé para ficar à frente dela, encontra uma solução em cinco minutos.



