Clubes e seleção geram angústias (por Erasmo Angelo)

Tem tudo para ficar mais atrativo ainda (e também mais angustiante) o restante deste Brasileirão/2026. [...]


Tem tudo para ficar mais atrativo ainda (e também mais angustiante) o restante deste Brasileirão/2026.

Parece não haver muitas dúvidas é quanto ao título. Quando se analisa, mesmo prematuramente, o que já aconteceu até a 11ª rodada, tudo indica que este título está encaminhado em favor dos (e apenas) dois melhores da competição: Palmeiras e Flamengo. A diferença técnica deles para os demais é muito evidente.

O que deve acontecer de interessante a partir de agora é o papel a ser desempenhado pelos outros grandes do futebol brasileiro, os chamados (inadequadamente) de “elite” do nosso esporte mais popular.

A partir da rodada número 12, a deste final de semana, e até a pausa para a Copa do Mundo, serão disputadas mais sete rodadas. Ou seja, quando o campeonato for paralisado ele terá atingido a sua 18ª rodada, dia 31 de maio, praticamente a metade da competição.

É neste período, até a pausa para a Copa, que a tensão vai aumentar para alguns dos grandes clubes no Brasileirão, pois, além da difícil competição nacional, vários deles também estarão envolvidos com Copa Libertadores e Copa do Brasil. Haja fôlego, força física, controle emocional e, principalmente, competência para suportar a carga que os espera.

Vejam o surpreendente caso do Cruzeiro. Terminou o campeonato do ano passado em terceiro lugar e como uma sensação. Previa-se para este 2026 que o time despontaria como grande candidato ao título. Deu tudo errado. O clube jogou fora quase três meses do calendário com a contratação do superado técnico Tite. Agora tem o comando do renomado treinador português Artur Jorge.  Mas, não é tudo.

O Cruzeiro/SAF gastou milhões com o reforço de um único jogador de qualidade, o craque Gerson. Esqueceu que precisava de bons reservas, que não são poucos pois os atuais, quando entram no time, só atrapalham por serem bem fracos, tecnicamente.

Como resultado deste desarranjo, o Cruzeiro só conseguiu minguados 10 pontinhos em 11 rodadas (33 pontos disputados) e vai precisar de 12 vitórias nas 27 partidas que lhe restam até o final do campeonato para não sofrer ameaça de rebaixamento.  As próximas sete partidas antes da pausa para a Copa, são cruciais. Na Libertadores, sua torcida se angustia após ver o time perder, no Mineirão, para a Universidade Católica, do Chile (2 a 1). Agora, a equipe precisa vencer três dos quatro jogos restantes para obter a vaga. Missão complicada levando-se em conta a irregularidade do time.

Tormento terrível passa também a torcida do Botafogo ao ver o clube viver a incerteza quanto ao seu futuro. Mal no Brasileirão, com um time fraco, é outro seriamente ameaçado. A temperatura da crise subiu com a divulgação de que o passivo do Botafogo, que é SAF, é da ordem de R$ 2,7 bilhões, sendo R$ 1,6 bilhão em dívidas a curto prazo. O empresário norte-americano John Textor, que comanda o clube, é acusado de fazer “manobras” que faliram o “Glorioso”.

Para completar o quadro doloroso do clube carioca, foi publicado um anúncio no britânico Financial Times, dia 14 último, informando que o Botafogo procura investidores interessados em comprá-lo, num pacote que inclui outros dois clubes, o Lyon (França) e o RDW (belga). Como Textor sumiu, ninguém no Botafogo sabe informar o que está ocorrendo.

O Santos, por sua vez, vai se dissolvendo e acumulando dívida astronômica para sustentar a decadência de Neymar. Fracassando no Brasileirão, o time segue riscos a cada rodada. Um grande fiasco santista aconteceu esta semana, no empate na Vila Belmiro (1 a 1), contra os reservas do modestíssimo clube Recoleta, do Paraguai, pela Copa Sul-Americana. Neymar, com atuação sofrível, deu um vexame em bate-boca barulhento com torcedores que o chamavam de mimado e aproveitador. Lamentável.

E não é só. As torcidas de Corinthians, Inter, Vasco, Grêmio e Atlético MG andam atormentados com a baixa eficácia de suas equipes, inseguras sobre o que esperar dos seus irregulares times. Elas sabem que a reação tem que ser agora, até a pausa para a Copa. Depois dela, os outros 50% finais do Brasileirão podem ser fatais para tais clubes nas sobras que Palmeiras e Flamengo vão deixar: vagas na Libertadores, Sul-Americana, e o (terrível) risco de rebaixamento.

As angustias e desconfianças dos torcedores de clubes também atingem a torcida do time de todos os brasileiros. Sua seleção. Pesquisa Datafolha divulgada no meio da semana, dia 14, aponta que só 29% dos torcedores acreditam em título do Brasil na Copa do Mundo tão próxima. E, pior: 43% acreditam que a seleção de Ancelotti não passa das quartas de final.

Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor

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