
Essa é uma metáfora que está em paredes de quartel, inclusive do quartel que comandei, o saudoso Baralhão da Serra. Frase essa que serve para explicar a importância das Forças Armadas e da indústria de defesa.
Quando uma pessoa realmente deseja alcançar um objetivo, seu caminho raramente é uma linha reta. Ela tenta, erra, aprende, insiste, melhora e recomeça quantas vezes forem necessárias. Cada obstáculo se transforma em aprendizado. Cada dificuldade gera experiência. Ao final, o resultado aparece porque houve persistência.
Já quem não está verdadeiramente comprometido encontra algo muito mais fácil, uma desculpa.
As nações também seguem essa lógica.
Nenhum país ou grande empresa construiu capacidades relevantes sem percorrer um longo caminho de desafios, investimentos, correções de rumo e aperfeiçoamento contínuo. Não existe atalho para a soberania. Ela é construída da mesma forma que qualquer grande conquista, com visão de longo prazo, disciplina e perseverança.
A indústria de defesa é um exemplo claro dessa realidade. Desenvolver radares, satélites, sistemas de comunicação, blindados, navios ou aeronaves exige anos de pesquisa, formação de pessoal e amadurecimento tecnológico. Muitos projetos enfrentam dificuldades, revisões e adaptações ao longo do caminho. Faz parte do processo.
O mesmo ocorre com as Forças Armadas. A formação de um soldado e um marinheiro leva tempo. A de um piloto, mais tempo ainda. A de um comandante exige décadas de experiência acumulada. Nenhuma dessas capacidades pode ser improvisada quando a necessidade aparece.
Entretanto, periodicamente surge a tentação de procurar o caminho mais fácil. Afinal, em tempos de relativa estabilidade, sempre haverá quem pergunte por que investir em defesa, por que manter uma indústria estratégica ou por que preparar-se para riscos que ainda não se materializaram.
A resposta está justamente na metáfora.
Os países que desejam preservar sua soberania seguem pelo caminho mais longo, investem, treinam, desenvolvem tecnologia, fortalecem instituições e constroem capacidades. Sabem que o processo é lento, custoso e exige continuidade.
Os que não querem fazer esse esforço normalmente encontram justificativas para adiar decisões, cortar investimentos e transferir responsabilidades. Em vez de capacidades, acumulam explicações.
A história, porém, costuma ser implacável. Quando uma crise surge, não há tempo para começar a preparação. Nesse momento, apenas colhem resultados aqueles que passaram anos construindo suas capacidades.
No campo da defesa, a diferença entre segurança e vulnerabilidade raramente está nos recursos disponíveis. Está na decisão de percorrer o caminho da preparação ou permanecer parado no conforto das desculpas.
As grandes nações escolhem preparar-se. Porque entendem que soberania não é um presente da geografia ou da sorte. É uma conquista construída todos os dias.
Luiz Alberto Cureau Júnior
General do Exército Brasileiro da reserva
Consultor Climático



