
Amnésia Dissociativa é o nome de uma grave doença neurológica ou psicológica em que a pessoa sofre por ela e por ninguém SABER O SEU NOME! É que ter uma palavra que o denomine, quase sempre dada na pia batismal ou no cartório, é tão importante quanto ter um corpo e uma personalidade, e uma vez dado pela sociedade e registrado pelo Estado, ele continua imutável pelo resto da vida, bem assim segue após o perecimento do ser que com ele foi dominado, feito Cristo, batizado pelo seu primo João Batista, há mais de dois mil anos, conserva o seu SANTO NOME ATÉ HOJE!
Mas a importância do nome está para além das pessoas, pois desde as coisas insignificantes até as mais importantes, tudo tem um nome, inclusive ruas, vilas, cidades, províncias, reinos, países, continentes, hemisférios, planetas, estrelas, galáxias e por fim um, chamado Universo, e que engloba todos os outros.
Matéria tida por desimportante para os “cabeças de vento”, o assunto NOME vem merecendo grande atenção ao longo da história, sobretudo na esteira das Grandes Navegações, quando novos territórios foram usurpados pelos portugueses e espanhóis, mas passaram a ser cobiçados por ingleses, franceses, holandeses e outros europeus.
Foi nesse contexto que surgiu o hoje clássico livro NOMUS, bem assim tratados como o de TORDESILHAS, para que o planeta não fosse inundado pelo sangue da cobiça, como de fato aconteceu.
Com efeito, a configuração e localização de todos os países do mundo está no chamado Mapa Mercator, sem que alguém ouse ficar os trocando o tempo todo, como fizeram os soviéticos com São Petersburgo, os maoístas e vietnamitas fizeram com as suas cidades, ou como os espanhóis fizeram com os atuais México e Peru, pois trocar nomes de países “na marra” facilita a sua usurpação de seus legítimos donos.
Sou um jequitinhonhense orgulhoso, mas cujo orgulho custou a me introjetar, porque a região em que nasci tinha outro nome MINAS NOVAS, mas ele foi furtivamente trocado por outro – até mais bonito – mas veio seguido de apelidos, os mais demolidores, como “Vale da Miséria”, “Vale de Lágrimas” e “Vale da Pobreza” e não tão somente Vale do Jequitinhonha, e nós, seus filhos tendo que explicar aos que não nos conhecem que somos muito mais do que isso!
E são centenas de milhares de brasileiros, nascidos na bacia de um rio que nasce em Minas Gerais e deságua na Bahia, as vítimas desse HISTÓRICO BULLYING, mas quase nenhum se dando conta de que é esse bullying a causa de nosso atraso e sofrimento! Muitos já não mais se apresentam apelidados de rio, e a não ser que uma grande campanha, em rede nacional, NOS REDIMA DESSES APELIDOS, CONTINUAREMOS PARA SEMPRE COMO NO FAROESTE: “MY NAME IS NO BODY”: ou meu “NOME É NINGUÉM”!
Carlos Mota Coelho é Escritor e Membro da Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha. Foi Deputado Federal e Procurador Federal. Autor de vários livros.




