
Causa preocupação a visível queda na qualidade do futebol que se pratica atualmente no Brasil, uma questão que deveria merecer reflexões entre treinadores, jogadores, dirigentes, CBF. Não é uma situação nova, de agora. Agravou-se após a recente Copa do Mundo.
A grande mídia, quase que por unanimidade, acordou para a situação. Antes do Mundial, esta mesma mídia – e também quase que por unanimidade – engajou-se na euforia produzida por marqueteiros, influenciadores e publicitários, para os quais o hexa da seleção brasileira estava no papo, no que foram desmentidos pela realidade do fracasso da seleção que Ancelotti levou à Copa.
Nas mesas redondas que se formam diariamente em vários canais de TV, o que se viu e ouviu nos últimos dias foram debates sobre o que está ocorrendo com o nosso futebol, transformado em um festival de jogos desfigurados se comparados ao que ele possuía com sobras: técnica individual e qualidade.
Mesmo levando-se em conta que o futebol, em sua globalização, permita que sua prática eficiente faça com que uma seleção, como por exemplo, a Costa do Marfim enfrente e desafie gigantes do futebol mundial quase em igualdade de condições, é muito difícil admitir que o futebol brasileiro chegue ao nível crítico atual.
A disputa do Brasileirão foi retomada após a Copa mas o que as rodadas disputadas mostraram, de um modo geral, foram partidas bem ruins, algumas próximas da mediocridade. Mais grave ainda é que os jogadores elevaram o tom de gritos e discussões com os árbitros, formando rodas de atritos de atritos também com adversários, rebelando-se contra qualquer falta assinalada, provocando, simulando e pedindo pênaltis em lances corriqueiros dentro da área.
Faltas seguidas estão travando o desenrolar dos jogos. Goleiros, de forma acintosa, fazem “cera” irritando adversários e o público. O cai-cai em campo faz parte do roteiro da “malandragem”. Árbitros tornaram-se tolerantes em excesso e virou lugar comum o bate-boca com atletas. Faltam violentas ficam impunes e até fratura já ocorreu, atingindo o atacante Gabriel Pec, do Cruzeiro, em lance com zagueiro do Inter/RS. Também virou rotina as confusões e atritos da arbitragem com comissões técnicas e jogadores reservas na lateral do gramado. Essas ocorrências consomem o tempo dos jogos e prejudicam a dinâmica técnica e coletiva das partidas.
Nas oitavas de final da Copa do Brasil não foi diferente. Chamou muita atenção, entre os oito jogos de ida, a ocorrência de cinco empates, sendo quatro sem gols em Santos x Remo, Atlético x Juventude, Chapecoense x Cruzeiro, Vasco x Fluminense. Empate com gols em Grêmio 1 x 1 Mirassol. Partidas nas quais estiveram envolvidos alguns dos clubes da chamada elite do futebol brasileiro, mas que tiveram atuações muito ruins.
Tirando Vasco x Fluminense, que é um clássico no Rio e um empate é normal, os demais times, que pouco mostraram na ida, escaparam do vexame nas partidas de volta e se classificaram. O Santos passou pelo Remo (1 a 0) em jogo no qual Neymar protagonizou confusões. O Atlético-MG conseguiu a classificação em Caxias (1 a 0), graças a um gol marcado nos segundos finais do tempo de acréscimo. O Cruzeiro só resolveu sua situação contra a fraca equipe da Chapecoense, no Mineirão (2 a 0), quando o rival ficou com 10 jogadores em campo, por expulsão (a Chapecoense é lanterna no Brasileirão, somando 10 pontos em 60 disputados). E o Grêmio conseguiu escapar de sua fase ruim arrumando um gol salvador contra o Mirassol.
O lamentável nisso tudo é constatar o espantoso silêncio dos clubes. Omissão irreparável.
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor



