Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Portugal, na terça-feira passada, mas parece que deixou parte do discurso no avião.
A comunidade brasileira que vive por lá esperava um gesto – nem que fosse um aceno mais firme – sobre o aperto local nas regras de imigração e nacionalidade. Não veio. Nem uma frase mais encorpada, nem uma crítica à crescente xenofobia que muitos relatam no dia a dia. Silêncio.
E o silêncio, em política, também fala.
Lula preferiu o roteiro confortável: acordos comerciais, diplomacia cordial, fotos bem enquadradas. Tudo certo – faz parte do cargo. O problema é o que ficou de fora. Há milhares de brasileiros vivendo um limbo jurídico, com medo do que vem. Em maio, com a nova legislação, haverá mais restrição no acesso à cidadania lusitana.
Gente que esperava mais do que tapinha nas costas e o protocolo passou a acreditar que sobra voz ao petista quando o assunto é Donald Trump. Aí o discurso aparece, afiado. Lá fora, onde o problema é mais próximo do eleitor brasileiro expatriado, o tom baixa.
No fim das contas, Lula foi a Portugal. Mas, para muitos brasileiros que lá vivem, ele ficou devendo presença.



