Em Brasília, acenderam um sinalizador vermelho – e não foi festa.
A arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante, que banca boa parte da engrenagem da navegação brasileira, despencou 35% no primeiro trimestre, em relação a igual período de 2025. Ficou em R$ 683 milhões. Traduzindo: menos dinheiro para construir, consertar e modernizar navio – e, de quebra, menos fôlego para estaleiros que já não vivem seus dias mais tranquilos.
E não estamos falando de troco. Esse cofre ajuda a sustentar uma cadeia que, entre 2009 e 2023, por exemplo, colocou quase dois mil navios na água e garantiu algo perto de 80 mil empregos por ano. Quando a arrecadação cai assim, o impacto não fica só no papel: bate no casco, no cais e no contracheque.
O AFRMM também irriga outros bolsos públicos – ciência (3% para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), ensino marítimo (1,5% para o Fundo do Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo) e o Fundo Naval (10%). Ou seja, o tombo não é localizado; é um efeito dominó com cheiro de maresia.
No fim das contas, o foguete que subiu em Brasília não ilumina. É daqueles que avisam: tem algo errado no radar – e o mar à frente pode não estar tão calmo assim.



