A pauta de sete grandes clubes (por Erasmo Angelo)

O Brasileirão segue equilibrado nos números dos clubes em posição delicada na tabela, sendo que sete [...]


O Brasileirão segue equilibrado nos números dos clubes em posição delicada na tabela, sendo que sete estão entre os chamados “grandes” do nosso futebol. E entre estes, três aparecem com a vida financeira muito complexa. Já Palmeiras e Flamengo, os ricos, levam a competição como o esperado, ou seja, muito provavelmente um deles será o campeão.

Na turma do suspense, a pontuação, após a disputa da 14ª rodada no último final de semana, mostra uma curiosidade: a diferença entre o 10º colocado na classificação, o Botafogo (17 pontos), e o primeiro colocado na zona de rebaixamento, o Corinthians (15 pontos), é de minguados dois pontinhos.

Nesta zona, com reduzidas diferenças de pontos entre eles, estão – além do Botafogo – seis grandes: Atlético/MG, Inter, Vasco, Grêmio, Cruzeiro, Santos. Essa turma, com números tão sofríveis, já disputou um total de 42 pontos nas 14 rodadas passadas. O máximo que eles conseguiram foram 17. Muito pouco para a fama que exibem.

Todos estão assustados com a ameaça da zona de rebaixamento. E antes que o campeonato seja interrompido para a Copa do Mundo, o que acontecerá dentro de quatro rodadas (incluindo-se a deste final de semana), eles terão que buscar pontos valiosos dentro de campo. Uma pauta arrojada.

Para elevar a temperatura das preocupações, estão incluídos, na turma aí de cima, três clubes – Botafogo Atlético/MG e Corinthians – às voltas com outros pesadelos: as questões financeiras.

Os problemas em relação ao Botafogo SAF, que alguns analistas apontam como uma ameaça à sua sobrevivência, são bem conhecidos e já foram abordados em coluna anterior.

Já o Corinthians, com sua astronômica dívida que supera os R$ 2,6 bilhões, lança dúvidas sobre sua futura capacidade operacional, como alertou recentemente a empresa Park Russel, que auditou as condições financeiras do clube.

Sobre o Atlético/MG SAF, a mídia tem registrado que as dívidas crescentes provocam problemas de ausência de recursos para cobertura de despesas a curto prazo. A SAF projeta agora um novo aporte de R$ 500 milhões da família Menin. A dívida atual do clube ultrapassa R$ 1,7 bilhão.

Em entrevista recente ao Sports Market Makers, Thiago Maia, vice-presidente de operações e finanças do Atlético SAF, revela: “O Galo é uma empresa que operacionalmente para de pé. O problema é que ela é uma empresa extremamente alavancada, tem uma dívida que, organicamente, é quase impagável”.

E ressalta: “As dívidas bancárias, entre as dívidas da Arena e da SAF, estamos falando na casa de R$ 1 bi. Então, estamos falando de juros de R$ 250 milhões ao ano pelo menos, então machuca demais”.

Sim, Thiago, machuca mesmo. Mas, quem sai mais ferida é a torcida.

Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor

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