A (ir) racionalidade humana (por Ricardo Guedes)

Nas palavras de Noah, o homem é em um “acaso” da sequência biológica, que “deve se extinguir de um a um século e meio” à frente. [...]

Aristóteles errou quando afirmou que “O homem é um animal racional”. Todo mundo acreditou, e saiu agindo como se fossem “racionais”, autocratas do ever, e deu m… Possivelmente, Aristóteles proferiu seu statement, fazendo jus, em ambiente que se antepunha a situações políticas e econômicas anteversas à época. Senão, talvez fosse melhor ter enunciado que o homem é um animal, que tem um lado “lógico”, que pode lhe dar alguma “racionalidade”.

No mundo helênico, tínhamos os Deuses do Olimpo, os deuses do “pensar”, que nos espelhavam. Em Roma, deuses do que “fazíamos”, no Monte Olimpo. Na Idade Média, nos tornamos à “imagem de Deus”. E na modernidade, abraçamos as ideias Baconianas do “progresso”, que até a pouco acreditávamos.

Mas a realidade é imperativa.

Noah Harari coloca os pingos nos “is”. O homem é um símio, absolutamente irracional, que ocasionalmente sobreviveu no confronto com as outras espécies, como no caso do Neandertais, com os quais miscigenamos há cerca de 50 mil anos atrás, e os extinguimos a cerca de 48 mil anos atras, possivelmente na primeira guerra geopolítica por causa de espaço e comida. Nas palavras de Noah, o homem é em um “acaso” da sequência biológica, que “deve se extinguir de um a um século e meio” à frente.

E isso é verdade. Chegamos a um impasse entre a nossa economia, que só acumula e não distribui, e as reservas do planeta, escassas e que não possibilitam o nosso sistema econômico, no derradeiro do por vir.

O “Doomsday Clock”, originalmente fundado por cientistas que trabalharam no Projeto Manhatan na Universidade de Chicago, nos coloca, hoje, na menor proximidade ever de nossa extinção, possivelmente por guerra atômica. Seria a comprovação da Teoria do Jogos de Nash, que embora aponte, teoricamente, para os dois lados, do conflito e do consenso, está imbuída, na prática, do desespero as ações irracionais.  

E todos sabemos para onde vamos, e nada fazemos.

c.q.d.

Deus, porque isto fizestes? Não eras o Criador?

Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago

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