COLUNA RONALDO HERDY

A Vale aposentou o anjo da guarda dos trens

Tem decisão que desafia a lógica. E tem a que desafia o bom senso.

A Vale resolveu tirar de circulação a locomotiva batedora que há cerca de seis anos, à frente dos trens de passageiros, percorre as ferrovias Vitória-Minas e Carajás (São Luís-MA a Parauapebas-PA).

O nome oficial pode até ser outro, mas o apelido popular ao engenho é “Laurindo”. Uma espécie de sentinela sobre trilhos, que usando sensores, câmeras e radares identifica aquilo que pode transformar uma viagem tranquila numa tragédia: deslizamentos, enchentes, árvores caídas, animais ou qualquer obstáculo no caminho.

A decisão de retirar o guardião de cena ganha contornos mais preocupantes depois do acidente ferroviário na Espanha, na semana passada, que deixou 69 mortos, nos primeiros balanços. A tragédia reacendeu o debate e a pressão pela volta do “Laurindo”.

A justificativa empresarial, ao que tudo indica, passa pela velha matemática: economizar combustível, equipes e equipamentos. A Vale tem todo o direito de buscar eficiência. O que não deveria é confundir isso com economia a qualquer preço.

No mundo dos negócios, como na vida, há momentos em que ganhar menos é infinitamente melhor do que perder tudo.

E, nesse caso, tudo pode ser vidas humanas.

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