
As competições brasileiras de 2026 nem atingiram três meses e muitos treinadores já foram demitidos. Entre os grandes clubes, os chamados “da elite”, três demissões provocam impactos até hoje: as de Felipe Luís, no Flamengo, de Hernán Crespo, no São Paulo e de Tite, técnico contestado pela torcida desde o dia em que o Cruzeiro anunciou sua contratação.
Aparecem agora mais dois nomes cotados para a degola, a depender dos resultados dos seus times nestes dias. O uruguaio Paulo Pezzolano, no Internacional/RS, ganhou uma sobrevida com a vitória de ontem (2 a 1) sobre o Santos, na Vila Belmiro. Já o argentino Martin Anselmi, no Botafogo, segue bem cotado na fila da degola após sua nova derrota, neste meio de semana, para o Palmeiras (2 a 1).
Nesta quinta-feira, mais um caiu fora. O argentinos Pablo Vojvoda foi demitido no Santos após a derrota diante do Inter. Para seu lugar, o clube santista rapidamente buscou Cuca, outro muito acostumado a ser demitido, já que contratos e demissões fazem parte da rotina dos treinadores no Brasil.
O enredo mais complicado (até agora difícil de ser digerido), envolve a surpreendente demissão de Felipe Luís, no Flamengo, e a estranha contratação do ex-cruzeirense Leonardo Jardim para o seu lugar.
Vale lembrar que o português Jardim, já nos últimos dois meses do ano passado, concedeu seguidas entrevistas dizendo que não continuaria no futebol brasileiro e que precisava sair do país para resolver problemas pessoais. E fez juras de amor ao Cruzeiro, afirmando que, se voltasse algum dia ao Brasil, o único clube em que trabalharia seria no time mineiro.
A saída de Jardim, que possuía contrato com o Cruzeiro até dezembro deste ano, é assunto que segue rendendo. Há poucos dias, o presidente do clube, Pedro Lourenço (Pedrinho BH, como é conhecido), confessou que o treinador pediu a ele, em dezembro, que o perdoasse da elevada multa por rescisão do contrato, em pedido de demissão que ele próprio fez.
Com dó ou em consideração aos lamentos de Leonardo Jardim pois, afinal, ele iria voltar a morar em Portugal, o presidente aceitou e liberou o treinador sem maiores problemas, inclusive perdoando a multa por rompimento de contrato. Pois bem. Alguns dias depois – e para grande surpresa de Pedrinho BH – lá estava Jardim sendo recebido como treinador do Flamengo, com um contrato milionário e para ocupar o lugar de Felipe Luís, um ídolo do clube carioca e demitido em circunstâncias inexplicáveis.
O episódio tem uma estranha história. Na mesma época (meados de dezembro) em que Jardim recebia as bondades do dirigente do Cruzeiro para voltar è Europa, Felipe Luís, no comando do Flamengo, festejava as duas maiores conquistas do futebol da América do Sul: campeão da Copa Libertadores e do Campeonato Brasileiro. Já no início da atual temporada, Felipe fazia uma campanha irregular (semelhante à de quase todos os grandes clubes em começo de ano). Na noite em que ele comandou a goleada de 8 a 0 sobre o frágil Madureira e se preparava para a coletiva com a imprensa, foi demitido do Flamengo. Horas depois, Leonardo Jardim ocupava o seu lugar.
Outro time que estava bem e entre os líderes nas primeiras rodadas do Brasileirão/2026, era o São Paulo. Mas, nem por isto seu treinador, o argentino Hernán Crespo, escapou da degola. Foi colhido por uma demissão repleta de versões contraditórias e que até hoje ninguém entendeu.
Em outros dois grandes, as demissões de treinadores não causaram abalos. Fernando Diniz saiu sem deixar saudades no Vasco. Jorge Sampaoli, que coleciona fracassos por onde passa, demorou a ser mandado embora pelo Atlético Mineiro. Considerado um criador de casos e de inimizades, fraco na execução do trabalho tático, sua maior “glória” no futebol brasileiro foi o de campeão do inexpressivo Campeonato Mineiro pelo Atlético, em 2020, ao derrotar o “poderoso” Tombense por 3 a 0. Um currículo pouco recomendado.
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor



