
Existe um adágio popular muito em desuso e infeliz, além de grave, que diz:
− “Em briga de home com muié, mió é não metê a cuié“, muito triste!
Mais inoportuno ainda foi quando o Paulo Maluf, depois de um grave estupro em São Paulo, quando ele era governador do estado, deu uma entrevista coletiva sobre o fato e disse:
− “Gente, pode até estuprar, mas não mata”!
Outra infeliz declaração e o tal declarante, quase se tornou um presidente da República como mais tarde, outro do mesmo naipe ou pior, acabou sendo um presidente(?), um grande horror a que o nosso país sofreu recentemente.
Atualmente, todos os dias que abrimos os jornais, ouvimos e/ou assistimos televisão, somos informados pelos horrores das agressões: é facada, enforcamento, tiros…, enfim uma enxurrada de brutalidades a que elas são submetidas, inclusive em frente a filhos, filhas…, um horror!
Segundo as estatísticas, Minas é o segundo estado onde essa prática se dá em todo o país e em 2025 foram 140 feminicídios, e no país inteiro 1400 mortes de mulheres por pessoas desajustadas socialmente, um absurdo!
Mas isso não é de agora e os crimes contra as mulheres acontecem desde que o mundo é mundo.
Aqui em Minas, nos anos setenta, aconteceram alguns que se tornaram manchetes nacionais devido ao caráter social deles pois foram crimes da chamada “alta sociedade mineira” e que chocou, sobremaneira, a chamada TFM. Um deles foi quando a linda Jô Lobato da família Souza Lima foi morta pelo seu marido, um grande(?) empreiteiro da construção civil, Roberto Lobato. Os jornais da época fizeram desse crime uma grande “Jornalnovela“, bem como as rádios e televisões com vários capítulos. Os advogados de acusação e defesa da época tornaram- se grandes ídolos da população, sobretudo a mais machista com a teoria do crime praticado: “a teoria da defesa da honra” e que amenizou a cadeia para vários outros crimes praticados dessa mesma forma.
Tempos depois apareceu mais um crime que, além de abalar a tradicional família mineira, extrapolou para o país inteiro pois a personagem, Ângela Diniz, já era conhecida nacionalmente por outros envolvimentos sentimentais, além da sua beleza monumental, admirada por todos. Esse ficou conhecido como o crime de Búzios onde o playboy Doca Street, numa sucessiva crise de ciúmes, resolveu acabar com a vida da “Pantera de Minas” como ela ficou sendo conhecida.
Os crimes continuam acontecendo e, cada vez mais frequentemente. Dizem que as estatísticas mostram que, atualmente, são mais de quatro feminicídios por dia no país, fora os casos de ameaças, opressões a que as mulheres são submetidas em todos os espaços que frequentam, um grande absurdo!
Também sempre temos notícias de falsas denúncias e ter cuidado com isso é preciso. Um conhecido nosso foi acusado de estar perseguindo uma amiga sua, pelo simples motivo de sempre parar o seu carro próximo ao prédio em que ela mora. Ela fez várias ameaças aleatórias até que ele trocou de carro, continuou parando lá, pois fazia parte do seu roteiro diário. Nunca mais teve problemas com a pretensiosa senhora, quer dizer, o perseguidor era o carro, e acho que ela tomou aquela bela lição que todos nós temos que aprender, parece que é bíblico:
− “Cuidado com o barro que o andor é um santo“!
Errei, mas errar é “omano“!
Tornei a errar!
José Emílio é Engenheiro Sanitarista e Jornalista



