Sinais (por Aldeir Ferraz)

E o velho estava ali agachado, com a fumaça à sua volta; trazia um cigarro de palha na boca e o rosto coberto por [...]

E o velho estava ali agachado, com a fumaça à sua volta; trazia um cigarro de palha na boca e o rosto coberto por uma barba rala.​

Sua enxada estava encostada, junto à moringa de água, na sombra de uma mangueira. Olhava o relógio de bolso: quase hora de ir. Mexia no seu isqueiro de pavio, molhado em querosene, para manter aceso o seu ritual de fumar.

​Estava ali a escutar a seriema a gritar no pasto e uma cigarra a cantar no tronco; via também as formigas aceleradas, entrando na toca com as folhas verdes que cortavam de todo lugar.​

Lá no céu, espiava as nuvens se formarem em “covas“, como se fossem roça pronta para plantar.

​− “Céu covado, chão molhado”, é o que sempre ouviu falar.

​E, na tradição que guardava, chegando o dia de São José, 19 de março, a chuva há de chegar.

Aldeir Ferraz é Político e Escritor

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