COLUNA RONALDO HERDY

Trump rosna, o mercado calcula

Na semana passada, Donald Trump resolveu puxar a orelha do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Motivo: Londres não participou das primeiras ações contra o Irã e nem liberou suas bases para operações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Discussão de gente grande – e aparentemente distante do Brasil. Só aparentemente.

Para chegar a um acordo bilateral com o Reino Unido, os Estados Unidos retiraram 13 mil toneladas do volume originalmente reservado aos países exportadores de carne bovina. A mudança abriu espaço para frigoríficos americanos entrarem com mais facilidade no mercado britânico.

E aí o assunto passa a interessar – e muito – ao Brasil. Nos próximos meses, quando o nosso país atingir a cota de importação que a China fixou para o produto brasileiro – 1.106.000 toneladas – os exportadores terão que procurar novos destinos. Caso contrário, enfrentarão uma sobretaxa salgada de 55%.

Neste cenário, os EUA podem virar alternativa. Sobretudo, se o mau humor de Trump com os ingleses fizer o presidente rever a vantagem concedida ao Reino Unido. Por ora o cardápio é outro. Washington estabeleceu em 52 mil toneladas a cota isenta de tributos para a carne brasileira, em 2026. Ela acabou em seis dias. Desde então, quem embarca paga tarifa de 26,4%.

Traduzindo: na geopolítica global, uma bronca entre aliados pode acabar mexendo até no preço do churrasco – feito com carne brasileira.

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