FIFA pune a “malandragem da cera” (por Erasmo Angelo)

As Comissões técnicas dos clubes brasileiros (treinadores, preparadores físicos, auxiliares, massagistas, médicos) devem agilizar suas providências com [...]


As Comissões técnicas dos clubes brasileiros (treinadores, preparadores físicos, auxiliares, massagistas, médicos) devem agilizar suas providências com o objetivo de desconstruir tudo aquilo que criaram, com a ajuda dos também espertos jogadores, em estratégias para o uso da chamada “cera” dentro de campo.

A “malandragem da cera” é utilizada durante os jogos de diversas maneiras. Depende quase sempre do placar apertado de uma partida, da inferioridade técnica de uma das equipes, das condições físicas do time, da fraqueza do árbitro, de cartões vermelhos ou amarelos que ameaçam desfalcar um dos lados, das demoradas saídas de campo por substituições, falsas câimbras, constantes quedas e simulações no gramado, demora na reposição da bola pelos goleiros ou em escanteios, laterais e faltas. Minutos valiosos são consumidos com as artimanhas,

O futebol brasileiro possui uma inesgotável fartura dessas ações no vasto repertório de simulações das equipes, quando chega o momento de fazer “cera” no gramado.

Mas, o antídoto, o remédio para a tentativa de cura dessa “malandragem” futebolística, que não é exclusiva brasileira (embora por aqui tenha virado uma praga) vem de ser encontrado pela International Board (IFAB), que é a entidade responsável por administrar as regras do futebol em todo o mundo e leva-las à FIFA para aprovação, o que ocorreu há poucos dias,

As mudanças nos regulamentos, que já serão adotadas nos jogos da Copa do Mundo que se aproxima, vão atingir diretamente o comportamento dos jogadores, dos goleiros, nas diretrizes de arbitragem e do VAR. E objetivam, também, reduzir a perda de tempo nas partidas. Para os clubes, as atualizações valem a partir de 1º de junho e entram em vigor em agosto, com o início das temporadas europeias. A CBF já trabalha para a futura implantação das normas no Brasil.

Entre as mudanças, vamos destacar algumas. Por exemplo, na cobrança do lateral o jogador encarregado de fazê-la terá apenas cinco segundos para repor a bola em jogo, após o início da contagem pelo árbitro. Se não cumprir, o lateral será revertido para o adversário.

Aquela longa demora no momento nas substituições, quando o jogador a ser substituído caminha lentamente ou fica conversando com companheiros para ganhar tempo com “cera”, tem punição. A partir do momento em que for exibida a placa de alteração, o substituído terá 10 segundos para sair de campo. Se não cumprir, o atleta que o substituiria só poderá entrar no gramado após um minuto de reinício do jogo, cronometrado. Um risco para a equipe infratora pois este minutinho de punição pode ser fatal.

Jogador que for atendido pela equipe médica terá de ficar fora do gramado por, no mínimo, um minuto e esperar a ordem do árbitro para voltar ao jogo. O VAR poderá ajudar o juiz no controle da regra. Também significa sério risco para o time do jogador que foi punido, já que sua equipe terá um atleta a menos, em campo, durante um minuto. 

Fazer “cera” no tiro de meta também será a um perigo para o time infrator. Após o começo da contagem do árbitro, a reposição da bola terá que ser feita em até cinco segundos, caso contrário o adversário será beneficiado com um escanteio. Já imaginaram se deste escanteio acontecer um gol?

Os árbitros terão que ficar atentos ao possível excesso de tempo em que o goleiro fica com a bola. Se a ação do goleiro passar de oito segundos (cinco deles acenados pelo juiz), seu time será punido com um escanteio em favor do adversário.

Nas possíveis dúvidas sobre ocorrência de escanteio ou tiro de meta, o VAR poderá interferir quanto ao equívoco entre corner ou tiro de meta. Agora, é esperar a Copa do Mundo para vermos, na prática, o início da aplicação das medidas.

É sabido que a arbitragem e o VAR do futebol brasileiro provocam trapalhadas ruidosas há tempos. Com as muitas alterações aprovadas agora pela FIFA é aconselhável, então, que a CBF trate a questão junto a seus árbitros com a devida urgência. E competência.

As novas normas irão aumentar, e muito, as responsabilidades deles dentro de campo. E o que o torcedor menos espera e que este aumento de responsabilidades signifique também a elevação dos níveis de trapalhadas.

Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor

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