Segundo levantamento da Nielsen – PublishNews, quatro dos dez livros mais vendidos em nosso país, no ano passado, tem autoria de Bobbie Goods, a design norte-americana Abbie Goveia. Não são romances, nem biografias. Mas livros infantis de pintar. Sucesso absoluto de vendas. Silêncio total de leitura.
A pesquisa feita com base no BookScan – que compila dados de livrarias tradicionais como a Martin Fontes e, também, de gigantes digitais do porte da Amazon, Mercado Livre e Magazine Luiza – não deixa muita margem para floreios: estamos comprando papel, mas lendo pouco.
Entre os títulos nacionais que escaparam da caixa de lápis de cor aparecem Café com Deus Pai 2025, de Junior Rostirola (3º lugar); Elo Monster Books: Flow Pack, do youtube Enaldinho (8º posto) e, resistindo bravamente, A Hora da Estrela, de Clarice Lispector – a única no grupo que requer mais reflexão do que coordenação motora (9º).
Vale ressaltar que não há nada de errado em pintar. Relaxa, distrai, organiza o caos. O problema é quando o país em massa troca a leitura pela aquarela. Num ranking onde a imaginação precisa vir pronta e contornada, talvez o retrato mais fiel do Brasil esteja justamente fora das linhas.



