COLUNA RONALDO HERDY

Entre a bola e o jaleco

O presidente da CBF, Samir Xaud, recebeu o chefe do Conselho Federal de Medicina, José Hiran Gallo, na última terça-feira, para discutir uma campanha contra a violência a médicos e equipes de saúde. A ideia: aproveitar a vitrine das arquibancadas e das transmissões para lembrar que portador de bisturi não é saco de pancada.

O dirigente do CFM bateu na porta certa. Xaud, além de cartola, é infectologista, já administrou hospitais e fez parte da cúpula da Secretaria Estadual de Saúde de Roraima. Sua terra natal, porém, amarga o segundo lugar no ranking das agressões: 26,4 casos por grupo de mil médicos. Apenas em 2024, São Paulo teve 832 ocorrências; Paraná, 767; Minas Gerais, 460; Santa Catarina, 386 e Bahia, 351.

Os números assustam como um todo. Desde 2013, cerca de 40 mil boletins de ocorrência por agressões físicas, verbais, ameaças e assédios contra profissionais foram feitos. Crescimento da ordem de 70% em dez anos. E ainda há subnotificação – aquela parte do problema que não vira estatística, só cicatriz. A infraestrutura precária, filas intermináveis e demora no atendimento agravam a situação.

Transformar o estádio em sala de aula pode soar otimismo. Mas num país onde a camisa do time fala mais alto do que discurso oficial, talvez faixas nos telões terão mais resultado do que mil notas técnicas. E a essência do recado é simples: quem salva vidas não pode viver sob ameaça.  

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