COLUNA RONALDO HERDY

A conta que ainda pode chegar

Já está no Centro Operacional das Promotorias de Investigação Penal do MPRJ, o ofício do PSOL pedindo a reabertura de inquéritos que passaram pelas mãos do ex-chefe da Polícia Civil fluminense, Rivaldo Barbosa. O argumento não é retórico: se uma autoridade da Segurança Pública foi condenada por obstrução da Justiça e corrupção passiva, o que dizer das investigações que conduziu ou arquivou?

Do Centro Operacional haverá distribuição às promotorias competentes, para análise técnica e avaliação jurídica. A inquietação é objetiva. Cadeia de custódia não é detalhe processual; é a espinha dorsal da prova criminal. Se há suspeita de que ela tenha sido contaminada, a dúvida não é política – é institucional.

Na semana passada, a Primeira Turma do STF condenou Barbosa a 18 anos de prisão, em regime inicial fechado, por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco, crime que expôs as vísceras do poder no Rio.

O pedido do PSOL pode até não prosperar integralmente. Mas levanta uma questão inevitável: quantos processos carregam, ainda hoje, a sombra de quem foi condenado por sabotar a própria Justiça?

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