A Hering resolveu atravessar a fronteira. E não foi para fazer turismo.
A tradicional companhia catarinense decidiu buscar no Paraguai parte da produção que abastece o consumidor brasileiro. Fechou contrato com a Novare, indústria têxtil inaugurada em setembro, em Ciudad del Este. A encomenda inicial: dez mil peças por dia. O primeiro contêiner, com quase 60 mil unidades, já desembarcou no Brasil.
A mesma Hering que agora encomenda roupas no Paraguai fechou uma unidade no Rio Grande do Norte, não faz muito tempo. Resultado: desemprego direto e reflexos sobre outras 22 fábricas de costura no Seridó, região metropolitana de Natal.
Coincidência? Pode ser. Mas é um fato que merece explicação.
De um lado da fronteira, uma indústria recebe encomendas. Do outro, trabalhadores brasileiros perdem seus postos de trabalho. Há, ainda, um outro ingrediente nessa equação: a aprovação na jornada 6×1, agora 5×2. Lula brigou e celebrou muito a medida. Já o setor produtivo manifesta reiteradas preocupações com custos e efeitos sobre a competitividade.
A Hering tem o direito de buscar a melhor condição para produzir. O Brasil, por sua vez, tem o dever de perguntar por que está ficando menos atraente para quem emprega. A resposta não envolve palavras ideológicas, mas bom ambiente de negócios, produtividade, segurança jurídica e ocupação de mão-de-obra.



