A infância, a adolescência… nesses tempos modernosos (por José Emílio)

As infâncias, bem como as adolescências são várias e em todo esse tempo cada geração curtiu ou curte ao seu modo [...]

Os tempos são outros e como não poderia deixar de ser, muita coisa mudou, seja nos costumes, na forma de se vestir, de brincar…, enfim o mundo deu uma acelerada nas suas voltas.

As infâncias, bem como as adolescências são várias e em todo esse tempo cada geração curtiu ou curte ao seu modo.

A minha e de muitos amigos da época, foram passadas praticamente na rua, fato inimaginável para os tempos modernos.

 Naquela época, proliferaram os vários tipos de brincadeiras, quase inexistentes atualmente, a não ser em longínquas e pequenas cidades onde recentemente apreciei alguns meninos brincando de bolinha de gude, foi muito emocionante!

Ocorre que, atualmente, as questões lúdicas que fizeram parte da infância de muitos contemporâneos, inclusive da minha, são desconhecidas para a grande maioria dos garotos, principalmente das grandes cidades. O jovem de hoje, quase não sabe o que é o jogo de “finca“, no qual riscávamos quase toda uma cidade, sobretudo nas ruas sem calçamento e logo depois da chuva.

As brincadeiras de pique, queimada, soldado contra ladrão, Bente Altas, essa, principalmente, para quem morou ou foi criado em Belo Horizonte, fazia o maior sucesso. Entre as mulheres, as brincadeiras prediletas era a de casinhas com comidinha, onde as bonecas imperavam com muita alegria e ternura.

A garotada e adolescentes, hoje em dia, são mais chegados nas coisas da eletrônica onde predominam as famosas telas que ocupam várias horas, diariamente, nas atividades deles, inclusive substituindo as tradicionais peladas e o futebol de rua que sempre fizeram parte no lazer dos jovens mancebos da época.

No modo de se vestir e de se apresentarem, os costumes mudaram muito.

Esses dias, eu vi uma garota na praia, de biquíni, onde não se visualizava um centímetro quadrado sequer de pele natural dela, tudo tatuado, um horror!

Os cabelos, antes bem discretos, atualmente se apresentam com muito estardalhaço.  Os cortes e os penteados, às vezes, chegam a assustar, mas tudo bem!

É aquela velha história do “passar do tempo” que, invariavelmente, transforma as pessoas, os costumes, inclusive o palavreado que muda de sentido, as gírias e os termos estrangeiros que tomaram conta e infectaram o nosso vocabulário, muito triste!

Com a influência da eletrônica, mudou demais o próprio raciocínio da meninada, sem falar na tal da IA que ainda não tenho muita opinião a dar sobre.

Lembro-me muito bem que quando eu estudava, nas aulas de física era uma grande dificuldade para a grande maioria dos alunos compreenderem os vários sistemas de medidas a serem utilizadas na matéria em questão, quais sejam: O MKS, o CGS que seriam fundamentais para entender as lições.

Pois não! Não é que esses dias eu presenciei dois garotinhos de, aproximadamente, doze anos discorrendo na maior facilidade sobre uma questão, um sistema de medição, só que da área da eletrônica. O tal do mega pixels e seus derivados, o  SI (sistema internacional), tudo isso com muita propriedade, coisas da modernidade!

Mas uma coisa parece que tem melhorado bastante quando comparamos as fases pois antigamente o tal do bullying era terrível e as pessoas sofriam demais com tais maldades. Atualmente ainda existe, mas está mais fiscalizada. No meu tempo, alguns alunos nem tinham coragem de voltar para as suas salas de aula, tamanha estupidez!

Naquele tempo, nas escolas, colocavam apelido em tudo e em todos nem os políticos se safavam. O Newton Cardoso era o “Porcão” , o Hélio Garcia tornou- se o “Ébrio Garcia”, o Aécio Neves era o “Aecim Dupó“.

Como se vê era terrível e se esse rapaz que foi eleito para governador de Minas, nessas alturas já estaria sendo tratado pela alcunha de “Rosquinha“, numa alusão ao seu nome também no diminutivo.

José Emílio é Engenheiro Sanitarista e Jornalista

Compartilhe esse artigo: