COLUNA RONALDO HERDY

Até refugiado entrou na briga

As sucessivas brigas entre Donald Trump e Lula produzem outros efeitos curiosos. O Brasil, destino considerado pelos cubanos, não aparece entre os países avaliados pelos americanos para receber refugiados da ilha, que vivem irregularmente nos EUA. Há conversas com outras nações, inclusive sul-americanas, para o destino do pessoal.

É uma ironia e tanto. Os cubanos foram a espinha dorsal do Mais Médicos, a partir de 2013, levando atendimento a rincões onde médico brasileiro, por razões diversas, nem sempre aparecia. Cerca de 20 mil passaram pelo programa, em sua fase inicial.

E o fluxo não acabou ali – e nem no projeto. Segundo o Observatório das Migrações Nacionais, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, aproximadamente 42 mil cubanos buscaram refúgio no Brasil, em 2025.

Ou seja: a porta para cubano nunca faltou por aqui.

Agora, com Brasília e Washington trocando desaforos, até refugiado virou peça do jogo. Hoje Trump parece disposto a mandar cubanos para quase qualquer lugar – menos para o Brasil.

Em outras palavras, quando falta diálogo, sobra gente pagando a conta.

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