No Itamaraty, a informação corre solta – e não é daquelas que chegam acompanhadas de convite para café.
A revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti teria vindo logo depois da passagem de Eduardo Bolsonaro pelo Departamento de Estado americano, no início da semana passada. Coincidência? É o que se pergunta nos corredores da diplomacia brasileira.
Viotti não é uma funcionária pública federal qualquer. Trata-se de uma das mais respeitadas profissionais no Ministério das Relações Exteriores. Foi a primeira mulher a comandar a embaixada brasileira em Washington e, entre 2017 e 2021, ocupou a chefia de gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, entre outras renomadas funções.
O motivo alegado pela Casa Branca foi a negativa do governo brasileiro, de não aprovar a indicação de Daniel Perez para representar os Estados Unidos em nosso país. Diplomacia, como se sabe, costuma trabalhar com notas, protocolos e frases cuidadosamente calculadas. Quando começa a produzir histórias de bastidores envolvendo retaliação, vistos revogados na marra e visitas na surdina ao Departamento de Estado, é sinal de que o cafezinho servido nos salões anda bem mais amargo que de costume.



