O chanceler do Chile, Francisco MacKenna, esteve no Brasil na semana passada. Reuniu-se com autoridades na capital federal, conversou com empresários, passou por São Paulo e voltou para Santiago.
Só não falou em público sobre um assunto que interessa – e muito – aos dois países: o Projeto Natureza, da CMPC. O empreendimento de celulose, previsto para o Rio Grande do Sul, tem investimentos estimados em R$ 27 bilhões. É o maior da história da multinacional chilena.
Mas, no Brasil, tamanha inversão não parece suficiente para dispensar uma boa dose de burocracia. O projeto enfrenta um impasse com o Ministério Público Federal em torno do licenciamento ambiental. A disputa já chegou à Justiça e começa a produzir um efeito que deveria preocupar qualquer autoridade: a possibilidade de a empresa simplesmente levar o negócio para outro país.
O Paraguai, por exemplo, aparece no radar.
Seria uma ironia daquelas: o dinheiro chileno atravessa a fronteira, procura outro endereço e deixa no Rio Grande do Sul apenas o discurso sobre desenvolvimento, empregos, fornecedores, impostos, exportações e crescimento regional.
Enquanto isso, Brasília e seus organismos públicos, com ramificações nos estados, continuam tratando R$ 27 bilhões como se fossem uma cifra abstrata numa planilha.
Não são!



