
Como se nada de desabonador tivesse ocorrido com a seleção brasileira na recente Copa do Mundo, as coisas por aqui, no nosso futebol, voltaram à sua ciranda de tolices; das coisas repetitivas, sem ares de mudanças, sem audácias. Tudo como antes da Copa.
A semana teve Ancelotti, Neymar e a volta do Brasileirão. O treinador da seleção, como já ocorreu em maio do ano passado, fez as costumeiras promessas, como já havia dito antes: “Vamos iniciar a montagem de um novo time, observando e testando jovens jogadores”. De repente, dá uma guinada ao passado recente, que não deixou saudades: “…mas sem abrir mão de alguns atletas que estiveram conosco no Mundial”.
E reitera: “Alguns desses (veteranos) vão estar, obviamente Marquinhos, por exemplo; o Alisson (goleiro), vamos ver…”. O torcedor, na sua sabedoria, deve estar imaginando: será que teremos outra vez o Paquetá, Alex Sandro, Raphinha, Danilo, Marquinhos, Casemiro e alguns outros?
Ancelotti, entre uma recaída e novas expectativas, lembra: “Não vou dizer que vou mudar todos os 26. Vamos manter alguns jogadores importantes que podem seguir com a linha de trabalho… mas a ideia é mudar, colocar uma nova geração”.
Acho confuso, sem contundência. Sem arrojo, audácia. Fica uma dúvida e uma interrogação: por qual razão ele não investiu nessa geração no início do seu trabalho, há 14 longos meses, época em que ele acenou pelo novo e acabou optando pelo velho, pelo grupo cuja maioria (15 convocados) já havia perdido copas anteriores? Que perdesse a Copa (como perdeu com seu confuso trabalho), mas mostraria, pelo menos, um novo caminho.
Se Ancelotti reapareceu e deu entrevistas que nada acrescentaram ao que ele costumeiramente diz sobre a seleção, quem também apresentou-se e buscou seu costumeiro espaço na mídia (sempre com oportunismo), foi o veterano Neymar. Ele deixa a má impressão de que é uma obrigação da seleção brasileira tê-lo na equipe. Como aliás, aconteceu na Copa recentemente encerrada, na qual foi convocado às custas do poderoso lobby instalado em seu entorno e ao qual também sucumbiu o treinador Ancelotti.
Desta vez o Neymar, 34 anos, entendeu que não deseja mais jogar na seleção. Sob a luz de holofotes e diante das câmeras de TV, decretou: “Meu momento na seleção brasileira acho que já foi. Fiz história ali e sou muito feliz. Dei meu sangue, minha vida, sempre lutei pela amarelinha, mas acho que não quero mais”.
O currículo do atacante na seleção mostra que ele disputou quatro copas do mundo. E não ganhou nenhuma. É muito sangue derramado para tão pouco.
E o besteirol do futebol brasileiro teve ainda e no mesmo dia do “adeus” do meia do Santos à seleção, uma entrevista do também veterano e famoso atacante Lucas Moura, do São Paulo, na qual ele afirma ter “esperanças” de ver Neymar na Copa do Mundo de 2030. É cada uma…
E o Brasileirão? Segue na rotina do cai-cai de jogadores no granado, “cera” dos goleiros, demoras irritantes na reposição da bola em laterais e tiros de meta, arbitragens confusas. E os dois favoritos de sempre: Palmeiras e Flamengo. Sem novidades.
Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor



