No Dia Nacional das Vítimas do Trânsito (7/5), o governo conseguiu a proeza de discutir justamente uma medida que pode facilitar a permanência de motoristas sem condições adequadas ao volante. A Associação Brasileira de Medicina do Tráfego acendeu o sinal amarelo – quase vermelho – contra a MP 1327/2025, prestes a ser votada no Congresso, que prevê renovação automática da CNH para “bons condutores”, dispensando exame físico e mental.
A lógica oficial parece saída de uma reunião apressada de burocratas: se o motorista não tomou multa nos últimos doze meses, então está apto para dirigir. Como se pressão alta, perda de visão, distúrbios neurológicos ou limitações cognitivas consultassem antes o prontuário do Detran para aparecer.
A Abramet lembrou o óbvio que Brasília insiste em tratar como detalhe: a ausência de infração mede o comportamento. Exame médico avalia condição de saúde. Uma coisa não substitui a outra nem em conversa de bar, imagina numa política pública.
No trânsito brasileiro já morreu gente demais por imprudência. Transformar renovação de CNH em mera burocracia digital pode acabar produzindo um país de motoristas “ficha limpa” guiando sem a menor condição física ou mental para isso.





