
Na capelinha lá da roça, à beira da estrada empoeirada, o sino bate a chamar toda gente para louvar Maria, a nossa mãe da Terra, do céu, de todo lugar.
Toda gente das grotas, da serra, da cidade e dos cantões logo se apressa para chegar.
Vêm a pé, a cavalo, de bicicleta, de carro — do jeito que dá. Para a reza, não dá para faltar.
As rezadeiras e o sanfoneiro já se organizam em orações e cânticos para homenagear a nossa mãezinha do céu.
As meninas, todas de branco e asas, oferecem flores e palmas a Nossa Senhora e, no final, lhe entregam a coroa de rainha de toda a Terra — e nossa também.
Em procissão, as anjinhas seguem e, na porta da capelinha, recebem nas mãos os cartuchos cheios de doces.
Lá fora da capela, na barraca, após a celebração, o quentão, a canjiquinha e o arroz-doce fazem da noite uma festa, uma alegria, uma grande confraternização.
O leiloeiro já dá seu grito, e os homens de chapéu e as mulheres de avental disputam as prendas doadas pelos festeiros da noite de coroação.
E viva o mês de maio, viva o tempo de mãe, vivam nossas mães do céu e da Terra!
Aldeir Ferraz é Político e Escritor




