A Philip Morris abriu vaga para gerente de assuntos governamentais. Não é qualquer emprego: pede jogo de cintura, estômago e, de preferência, uma boa dose de ironia involuntária.
A missão? Defender interesses de uma indústria que passou décadas vendendo cigarro – e ainda faz isso. O processo seletivo apregoa, ao mesmo tempo, que o profissional a ser selecionado ajudará a “construir um futuro livre do fumo”. É tipo contratar um bombeiro especializado em apagar o próprio incêndio… com gasolina no currículo.
A empresa avisa que o escolhido trabalhará em diversas funções, apoiado por especialistas em tudo, desde assuntos fiscais e comércio ilícito até sustentabilidade, que precisa estar afiado em estratégias políticas e regulatórias do tabaco no Brasil, antecipando futuras ações legislativas e de órgãos como a Anvisa, além de antenado sobre a evolução das expectativas da sociedade etc. Um verdadeiro decatleta corporativo – só não ficou claro em qual prova ele cruza a linha entre o discurso e a prática.
Detalhe curioso: não se exige que o candidato seja fumante. Talvez porque, a essa altura, já não faça mais diferença.



