O pessoal da indústria automobilística aqui do Brasil e da Argentina resolveu fazer algo raro: parar de reclamar sozinho e começar a reivindicar junto. O motivo tem placa — e ela vem da Ásia.
Com uma avalanche de carros chineses ganhando espaço no mundo, o setor por aqui percebeu que, do jeito que está, vai ficar assistindo de camarote. Então decidiu pressionar o Mercosul para deixar de ser esse clube burocrático que administra papelada e virar, de fato, uma plataforma de exportação.
Traduzindo: querem parar de discutir regra velha e começar a vender carro.
O primeiro alvo é o tal Acordo de Complementação Econômica nº 14. Assinado lá em 1990 — quando celular era tijolo e internet era ficção —, o tratado virou uma peça de museu que ainda dita como Brasil e Argentina trocam carros e autopeças. Funciona, mas claramente não acompanha o mundo real, que hoje envolve competição pesada, tecnologia avançando rápido e margem cada vez mais apertada.
O bloco automotivo da região não é mercadinho de bairro: diz respeito a mais de 350 milhões de pessoas e tem capacidade para produzir cerca de cinco milhões de veículos por ano. A indústria do setor tem peso aproximado de 20% do PIB no Brasil e 8,5%, na Argentina. Ou seja, é gigante — mas anda jogando abaixo do próprio peso.
No fim das contas, o recado é simples: ou o Mercosul se atualiza e participa do jogo global, ou vai continuar sendo espectador – enquanto os outros disputam o campeonato.



