COLUNA RONALDO HERDY

Porta de saída vira opção no STF

Não é só Cármen Lúcia que cogita antecipar aposentadoria. Edson Fachin também avalia pendurar a toga antes da hora – e não é por falta de mandato. Ele poderia ficar no Supremo Tribunal Federal até 2033, quando bateria na aposentadoria compulsória. Mas, às vezes, o calendário pesa menos que o ambiente.

O incômodo vem do rastro deixado pelo caso Master, mais um capítulo que joga sombra sobre o Judiciário. Não é de hoje que se discute o desconforto com parentes de ministros atuando em tribunais superiores. Agora, o debate ganha outro volume: honorários estratosféricos, privilégios, mordomias – tudo aquilo que distancia a Justiça da ideia de justiça.

Dentro do STF, há quem prefira sair antes de ver o nome misturado ao desgaste. Fachin e Cármen Lúcia, segundo relatos, estariam nesse grupo. Não querem que a biografia seja reescrita pelo noticiário.

Porque a reputação, no fim das contas, é como cristal: leva anos para lapidar e segundos para trincar. E, em tempos de crise, há quem prefira sair pela porta da frente – antes que alguém a feche.

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