O lado bilionário do futebol (por Erasmo Angelo)

No tão esperado duelo entre o francês PSG e o inglês Arsenal, dia 30 último, em Budapeste, na decisão da [...]

No tão esperado duelo entre o francês PSG e o inglês Arsenal, dia 30 último, em Budapeste, na decisão da Champions League/UEFA, muitos analistas esperavam que naquela disputa, assistida por milhões em todo o mundo, via TV, ocorreria, também, um confronto arrojado e audacioso entre sistemas táticos. Esquemas que possivelmente seriam (quem sabe, serão) aplicados na Copa do Mundo que está chegando.

O londrino Arsenal não quis assim. Premiado com um gol logo aos 8 minutos de jogo, em falha de Marquinhos (já com a Seleção Brasileira nos EUA), o time inglês imediatamente abdicou da audácia e fechou-se na retranca para tentar levar a vantagem mínima até o fim. Seu futebol de medo foi castigado na disputa por pênaltis. Perdeu merecidamente para o parisiense PSG, que dominou todo o jogo e levou a taça que premiou seu futebol de alta eficiência, produzido pela qualidade de seus inúmeros craques e que o faz merecedor da condição de melhor time do mundo, na atualidade.

Alguns apontam que o Arsenal não teria outra saída que não fosse se retrancar. Lembram que na decisão da Champions do ano passado, a Inter, de Milão/Itália, foi enfrentar o PSG no chamado “mano a mano”, de igual para igual. Levou um passeio e uma tremenda goleada: 5 a 0.

Restou a convicção de que na Copa do Mundo que se aproxima, a Inglaterra não adotará o esquema suicida do Arsenal. E a certeza de que a Seleção da França será um PSG ainda mais arrojada com a inclusão no selecionado – além das estrelas do campeão da Champions – de outra quantidade de grandes jogadores de outros clubes, que irão compor a seleção, elogiada pela prática de um estilo de jogo de alta intensidade e eficiência.

Impressiona, também, a premiação que a União Europeia de Futebol, organizadora da Champions, destina aos clubes participantes. Todos recebem seus milhões por participação em cada fase e quem é campeão ganha uma soma impressionante de dinheiro. Somente no dia 30 de maio último, pelo jogo com o Arsenal que lhe valeu o título de campeão, o PSG embolsou 25 milhões de euros (cerca de R$ 148 mi). De bônus, por performance acumulada das fazes anteriores, ganhou o equivalente a 115 milhões de euros (cerca de R$ 678,5 mi). Por toda a competição, recebeu o equivalente a R$ 826,5 milhões. E ainda tem grana a receber por direito de tv e marketing.

A Champions recentemente encerrada, permite ainda o levantamento de outros números incríveis. A Transfermarkt, portal de futebol sobre transferências de atletas, valores de mercado, estatísticas, notícias, é uma plataforma alemã fundada no ano 2000, respeitada mundialmente como o principal banco de dados sobre futebol. Estima o valor teórico do mercado e é tão conceituada que virou referência em consulta da mídia mundial, de profissionais de futebol, dirigentes de clubes e empresários.

Vamos ilustrar, com base nos dados da Transfermarkt, o cenário paralelo entre o valor de mercado dos elencos das equipes de todos os 20 clubes que disputam o Campeonato Brasileiro com o respectivo valor dos elencos apenas de PSG e Arsenal, que decidiram a Champions, há dias.

Com base nos números da plataforma alemã, temos o seguinte: os elencos de PSG e Arsenal valem, juntos, 2,62 bilhões de euros (cerca de R$ 15,45 bilhões). Os de 20 clubes do Brasileirão, juntos, equivalem a 2.01 bi de euros (cerca de R$ 11,85 bi).

Há outro detalhe que certamente tem influência significativa na cotação de valores individuais de atletas: PSG e Arsenal possuem, juntos, 30 jogadores cedidos a seleções nacionais que vão disputar a Copa do Mundo. Bom tema para uma próxima coluna.

Erasmo Angelo é Jornalista. Foi Redator de Esportes e Colunista do jornal Estado de Minas, Redator do Jornal do Sports/MG, apresentador e produtor na TV Itacolomi, TV Alterosa e Rádio Guarani. Foi presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, editou a Revista do Cruzeiro. Formado em História pela PUC/MG. Autor

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