COLUNA RONALDO HERDY

Pressa de militante, tempo de ministro

Seis meses bastaram para Guilherme Boulos descobrir que o Planalto não é ocupação – é instituição.

À frente da Secretaria-Geral da Presidência, o ministro vem acumulando mais ruídos do que consensos. Dentro e fora de Brasília, cresce a lista de desafetos. O motivo não é exatamente o conteúdo do que diz, mas a forma. Para seus críticos, Boulos insiste em agir como militante num cargo que exige liturgia – e, sobretudo, paciência com quem pensa diferente.

A cena mais recente ajuda a explicar o incômodo. No lançamento do projeto que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima de trabalho, de 44h para 40h semanais, sem redução do salário, enquanto o líder do governo, José Guimarães, falava em transição e negociação – palavras-chave no Congresso, Boulos subia o tom. Queria votação “agora e com urgência”. E foi além: classificou qualquer tentativa de adiar a decisão como “estratégia de bolsonaristas”.

O Legislativo tem rito, goste-se ou não, com espaço para o contraditório. Faz parte do jogo democrático. Entre a urgência da militância e o compasso da política, Boulos precisa ter sempre em mente que governar exige mais do que convicção. Requer método. E, às vezes, silêncio.

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