No Brasil não falta potencial. Falta decisão (por Luiz Alberto Cureau Júnior)

O Brasil quer ser protagonista global. Quer crescer, liderar, influenciar. Mas há um ponto que poucos [...]


O Brasil quer ser protagonista global. Quer crescer, liderar, influenciar. Mas há um ponto que poucos encaram com franqueza, não se ocupa espaço no mundo apenas querendo, ocupa-se decidindo melhor.

No meio militar, isso é básico. Toda decisão séria responde a perguntas simples, como quem, o quê, quando, onde, como, para quê e principalmente, e daí? Essa última separa intenção de consequência.

Fora desse ambiente, o país frequentemente ignora esse método. E o resultado não é teórico, é concreto e recorrente.

Queremos crescimento, mas não enfrentamos o como.

Queremos justiça social, mas ignoramos o para quê.

Queremos relevância internacional, mas evitamos o e daí.

Vivemos no campo do desejo, não da decisão estruturada. As consequências estão aí, obras inacabadas e recursos desperdiçados, políticas públicas que não entregam resultado, baixa produtividade crônica, dependência de soluções imediatistas, um país que sempre quase chega, não é falta de capacidade. É falta de método mesmo.

Quando não se responde ao e daí?, o futuro vira acaso, e isso não é só institucional, é cultural, exceção feita a algumas ilhas de modernidade que nos carregam, como o Agro por exemplo. O mesmo padrão se repete no dia a dia, decisões por impulso, carreiras sem direção clara, finanças sem estratégia. A soma disso molda o país que temos.

Outras nações não são mais inteligentes, são mais disciplinadas. Planejam, executam e medem consequência.

O Brasil precisa aprender isso, com urgência, porque, no fim, a pergunta é simples e incômoda é a seguinte:

Se continuarmos decidindo assim… e daí? Para onde iremos?

Luiz Alberto Cureau Júnior
General do Exército Brasileiro da reserva
Consultor Climático

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