
Trump foi a China, mas não levou.
Do ponto de vista de negócios, Trump obteve relativo sucesso. Levou o grupo de empresários diretamente ligado a ele, principal motivo de sua viagem. Anunciou, em sua saída, que a China teria comprado 200 Boings, não confirmado pela China publicamente. Mas no principal, que seria ter maior facilidade na importação de terras raras, e de seus derivados, não obteve maiores progressos. A China é detentora de cerca de 48% das reservas mundiais de terras raras, os Estados Unidos menos de 1%.
Do ponto de vista político, ficou a desejar. Escutou de Xi Jinping que os Estados Unidos não devem entrar em Taiwan, sob a probabilidade de sério conflito armado entre as duas potências; que a Guerra contra o Irã é uma guerra errada que não deveria ter sido iniciada; e Xi Jinping, citando a “Armadilha de Tucídedes”, quando Atenas em ascensão se sobrepôs a Esparta que reagiu com guerra e foi derrotada por Atenas, acenou para que os Estados não devem assim proceder à ascensão da China.
Era nítido ver Trump sempre tenso e com o rosto preocupado durante toda a sua visita a China.
Trump toda semana declara que venceu a Guerra contra o Irã, no que é diretamente contestado pela imprensa e pela opinião pública americana. Sempre, em seguida, costuma então afirmar que irá “varrer” o Irã da terra. Semanalmente, sempre assim, este passou a ser o “novo normal” das declarações de Trump. A inflação nos Estados Unidos hoje é maior do que o aumento da renda média do americano, e o preço da gasolina nos postos para o consumidor passou de US$ 3,50 para US$ 5,00 por galão desde o início da Guerra contra o Irã. Trump procura uma “cara” para sair da guerra, e não consegue.
A viagem de Trump foi imediatamente seguida pela viagem de Putin à China, despertando maiores preocupações a Trump.
Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago



