O recém-criado Fundo de Florestas Tropicais nasceu com discurso bonito e ambição bilionária. Lançado na COP 30, com o Banco Mundial como administrador, o tal TFFF prometia mobilizar US$ 125 bilhões para proteger florestas e bancar o futuro sustentável de mais de 70 países com meio ambiente exuberante.
Quatro meses depois, o caixa continua mais no PowerPoint do que na conta bancária.
E aí entra o mundo real. O conflito no Oriente Médio não só derruba mercados – suga prioridades. Dinheiro que poderia ir para a floresta acaba financiando guerra, defesa, reconstrução. A urgência climática perde espaço para a urgência militar.
O plano era captar US$ 25 bilhões de governos e completar o resto com investidores privados. No papel, faz sentido. Na prática, o dono do dinheiro olha o mapa – e escolhe onde o risco é menor ou o retorno é mais rápido.
No lançamento, falaram em “ação urgente”. Continuam certos. O problema é que, no mundo de hoje, a urgência tem concorrência pesada – e costuma vir acompanhada de barulho de míssil.
No fim, o fundo que nasceu para proteger florestas pode acabar vítima de uma outra devastação: a falta de dinheiro num planeta que, mais uma vez, escolhe apagar o incêndio antes de evitar o próximo.





