Prestes a ter um fim (o processo corre no governo federal desde 2003), a criação da Reserva Extrativista de Tauá Mirim, na parte Sul de São Luís (MA), enfrenta uma situação inusitada. Ela foi concebida para cobrir uma ilha que até hoje não tem ligação rodoviária com o continente e onde moram cerca de 200 famílias.
Quando tudo parecia caminhar para um final feliz, a Federação das Indústrias do Estado do Maranhão, alegando defender o meio ambiente e as comunidades, entrou com ação na Justiça Federal pedindo a paralisação do processo de criação da Resex. Alega que não houve a consulta prévia prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.
É o caso do poluidor que argumenta cuidar do interesse das vítimas da poluição, afirmando algo que a indústria rejeita comumente em todo o país: a consulta à comunidade.
Nos bastidores, o que ambientalistas locais dizem é que a Fiema ao agir desta forma, busca preservar a ilha para novos empreendimentos portuários em uma cidade que já possui três terminais do gênero, que movimentam cerca de 16% de toda a carga portuária brasileira (224 milhões de um total de 1,4 bilhão de tonelada, em 2025), mas que gera emprego para menos de 2% da população, segundo o novo Caged.





