COLUNA RONALDO HERDY

O novelo que chegou às togas

Em São Paulo, sobretudo nos escritórios de advocacia, já há sócios exibindo no semblante a tensão de quem percebeu que a crise no Judiciário resolveu fazer hora extra.

E não é pouca coisa.

Os escândalos que alcançam ministros do STF, por enquanto, envolvem procedimentos que, ao menos, segundo relatos que circulam no meio jurídico, podem ser bem mais corriqueiros do que parecem.

Depois que a Corte abriu o caminho para que Suas Excias – aquelas que se declaram impedidas ou suspeitas por terem parentes atuando nos processos – deixassem de enfrentar determinadas restrições, houve romaria nos escritórios.

Bateram à porta outras bancas. E não eram exatamente desconhecidas desse mundo: gente ligada a tribunais, inclusive aos chamados superiores, além dos TRFs e, claro, da primeira instância.

O fio dessa meada é comprido.

E convém não esquecer um dado que, sozinho, já justificaria algumas sobrancelhas levantadas: no STF, cinco ministros já apareceram, direta ou indiretamente, no noticiário relacionado a mimos ou contratos com o banco liquidado de Daniel Vorcaro.

Agora, resta saber onde termina a coincidência, onde começa o conflito de interesses e, principalmente, quem terá disposição para puxar esse fio até o fim.

Porque em certas histórias, o problema não é descobrir que existe um novelo.

É descobrir quem está segurando a ponta.

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